O Horário de Verão é necessário?

O horário de verão (HV) começou. Queiram ou não queiram. Para quem gosta e para quem não gosta.

Embora não conheça alguém que goste, a ANEEL afirma que a maioria da população aprova. Contudo, a última “pesquisa” que fizeram foi em 2001, indicando aprovação de 75%. Será?!

Sinceramente, gostaria de ver um referendo sobre essa alteração do horário real, que foi imposto em 1931 por Getúlio. Desde então – por força de decretos governamentais – somos obrigados a mudar nossa rotina e forçar nosso relógio biológico à mais essa artificialidade. Mas não precisamos nos preocupar, é apenas mais uma entre as várias da contemporaneidade.

A maior justificativa apontada pelos órgão do setor elétrico é a redução do consumo de energia, principalmente durante o horário de pico, das 18h às 21h. Outros objetivos são (conforme reporta a ANEEL): o aumento de convívio familiar entre pais e filhos menores, bem como o aumento da segurança física das pessoas, ao permitir o retorno do trabalho, antes do anoitecer.

Economia
Quanto à economia, falo apenas um dado para questionar o HV. A estimativa do próprio Ministério de Minas e Energia é economizar “míseros” 0,5% na demanda de energia total (pouco mais de 2.000 MWh). E de 4% a 5%, no horário de pico. Só isso?!

Será que não conseguiríamos isso com educação ambiental séria? Com economia diária, especialmente nos prédios de órgãos públicos? Neles, que deviam ser o exemplo, não raro vemos as luzes acesas em plena madrugada. Canso de apagar luzes desnecessariamente acesas no meu trabalho. Isso ocorre porque o brasileiro não se responsabiliza pelas suas ações e gosta de que o governo – sua “mãe” – resolva seus problemas.

Sociedade
A mudança é de, só, uma hora. Uma hora prá frente. Entretanto, essa horinha muda os períodos do dia. A manhã passa a ser um pouco madrugada. A tarde, um pouco manhã. A noite, um pouco tarde. E a madrugada, um tanto noite. Quem sofre com isso? Aqueles que pautam sua vida pela realidade, naturalidade de ver o sol nascer às 6h da manhã e pôr-se às 6h da tarde, ou horários próximos a esses. Aqueles que acordam com o sol e dormem quando ele se vai completamente.

Essas pessoas são, em sua maioria ou totalidade, trabalhadoras. Ajudam o país e as outras pessoas a seguirem em frente. Pode-se dizer que, acordando de madrugada para trabalhar e retornar de noite do trabalho, proporcionam uma qualidade de vida melhor àqueles que acordam já de manhã e retornam com o dia ainda claro para casa. Para estes, o HV interessa devido às maiores possibilidades de “hora feliz” (happy hour) e à sensação de o dia durar mais. Claro que é somente sensação, pois o dia continua com suas 24 horas, ou mais precisamente, 23 horas, 56 minutos e 4 segundos.

O aumento do convívio com os filhos, citado acima, é ilusório porque os compromissos diários permanecem nos mesmos horários. Se os pais não tinham tempo para seus filhos, não será adiantando uma hora que terão. Eles deveriam, sim, sair uma hora mais cedo do trabalho. Assim, alcançariam também o objetivo de ter mais segurança na volta para casa por causa da presença da luz solar.

A lógica urbana é inversa à naturalidade da dicotomia dia/noite. Faz tudo de dia e tudo de noite. O dia não é mais para trabalho – seja intelectual ou braçal. A noite não é mais para descanso e sono. E como somos no Brasil mais urbanos que rurais – segundo o censo 2000, 81,1% contra 18,9% -, devemos aceitar esse novo comportamento.

Conclusão
Enfim, defendo uma consulta geral à população por meio de referendo ou abaixo-assinado – e não uma pesquisa qualquer – para validarmos socialmente essa instituto do horário de verão. Penso haver mais transtornos e desvantagens que benefícios. Ao menos, estes poderiam ser obtidos de outras formas, de preferência mais justas e solidárias. Por exemplo, os que mais consomem devem se responsabilizar mais pela economia.

E você, o que acha? Opine!

Deixo duas enquetes aqui no blog. Uma para saber se você é a favor ou contra o horário de verão. E outra, se é a favor ou contra um referendo/abaixo-assinado sobre o assunto.

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