Dinheiro que dá em árvore

Acordos de Cancún ratificaram a insensibilidade às demandas sociais e o projeto do mercado como solução para as mudanças climáticas

Vinicius Mansur
enviado a Cancún (México)

Não bastam os diversos desastres ambientais registrados mundo afora. O documento elaborado em Cochabamba, Bolívia, durante a Conferência Mundial dos Povos sobre Mudanças Climáticas, na qual estavam mais de 35 mil pessoas em abril deste ano, tampouco foi suficiente. Não bastaram os mais de 200 protestos realizados em 37 países no marco da jornada de lutas “Milhares de Cancún”. Também não bastaram as duas marchas puxadas pela Via Campesina e os três fóruns realizados – por distintas organizações sociais – paralelamente à Conferência do Clima da ONU (COP 16) em Cancún, México.

Nas palavras do equatoriano Luis Andrango, dirigente da Coordenadoria Latino-Americana de Organizações do Campo (Cloc), “a COP 16 discutiu só soluções de mercado para os efeitos da crise climática que criou e deixou nas mãos do povo, de novo, o dever de enfrentar as suas causas”.

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Lula “cacarejou” sobre clima, dizem Estados Unidos

O que esperar do “Império” senão o Imperialismo?

Novos documentos do site WikiLeaks, obtidos pela Folha, mostram críticas dos diplomatas americanos à atitude brasileira nas negociações internacionais do clima.

Os telegramas foram escritos entre 2008 e 2010. Em um deles, o suposto protagonismo brasileiro na cúpula do clima de Copenhague, no final de 2009, é ironizado.

Segundo a diplomata Lisa Kubiske, “Lula cacarejou” suas conquistas ambientais e sua capacidade de costurar um acordo. Para os EUA, o Brasil teria assumido uma imagem exagerada de “herói” e “cavaleiro branco”.

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WikiLeaks revela que ‘Acordo de Copenhague’ foi manipulado pelos Estados Unidos

Telegramas secretos mostram ‘ofensiva diplomática’ dos EUA pela adesão ao ‘Acordo de Copenhague’ mediante promessa de ajuda financeira

Telegramas da diplomacia americana revelados pelo WikiLeaks mostram uma “ofensiva diplomática” secreta sobre o aquecimento global. Segundo os documentos, a operação política internacional buscou angariar apoio do maior número possível de nações através de empréstimos e ajudas financeiras, com o objetivo de cercar a oposição ao controverso Acordo de Copenhague, documento não-oficial que emergiu das ruínas da COP-15 de 2009, na capital dinamarquesa. Reportagem de Damian Carrington, em The Guardian.

No dia 31 de julho de 2009, o Departamento de Estado dos EUA enviou um telegrama secreto a diplomatas das Nações Unidas sobre uma série de temas, incluindo as mudanças climáticas. O pedido foi originário da CIA. Os diplomatas foram questionados sobre o posicionamento de cada nação e requisitados para apresentar evidências do “esvaziamento” do tratado ambiental da ONU, além de pactos entre nações.

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