A Cristandade se acabou. Viva a fé!

A celebração do Natal vem nos recordar de que a paz nunca se fará pelas armas
Marcelo Barros

Este é o título do editorial de um número recente da revista Le Monde des Religions, (outubro 2010). Esta afirmação não parece confirmada quando vemos como o comércio e o consumismo tomaram conta da festa do Natal. A cultura parece ainda cristã, mas sem a profundidade que o Evangelho pede a quem crê. De fato, em um mundo individualista e competitivo, é ótimo que o Natal seja ocasião de encontro humano e confraternização das famílias e amigos. Pode ser positivo que, para muitas pessoas, esta festa não fique restrita à fé cristã. Ela nasceu no século IV de uma comemoração do solstício do inverno. Celebrada em seu início pelos seguidores da antiga religião romana, hoje se tornou uma festa mais humana do que religiosa. Entretanto, é lamentável que o seu conteúdo cristão tenha sido substituído pela febre do comércio e pelo Papai Noel das lojas e da cultura consumista.

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[Brasília]: Intensa expansão demográfica deixa DF à beira de um colapso

A tragédia pode ser evitada se houver investimentos nos municípios vizinhos, desviando a atual pressão sobre os serviços públicos do DF

Juliana Boechat

Mara Puljiz


Morador de Luziânia, Lenivon Lemos sustenta a família com o emprego de cozinheiro na capital federal: ‘O salário em Brasília é melhor’ (Fotos: Carlos Silva/Esp. CB/D.A Press )

Se não houver uma urgente mudança na política de desenvolvimento econômico no sentido de beneficiar a capital federal, sem deixar de lado a região do Entorno, especialistas preveem que os problemas decorrentes de um aumento populacional não planejado ficarão fora de controle. Entre as preocupações estão o aumento da pressão sobre a rede pública de saúde, a escassez de escolas e creches, além da menor oferta de água tratada e emprego.Essas dificuldades atuais tendem a se agravar e levar a capital federal a um colapso. “Se não houver um investimento voltado para a população do Entorno, Brasília tende a ficar inviabilizada em 30 anos, pela superlotação dos hospitais, problema de abastecimento de água e falta de vagas nas escolas”, prevê o antropólogo e sociólogo Antônio Flávio Testa, levando em conta os dados do Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na opinião de Antônio Testa, que também é pesquisador de gestão de políticas públicas da Universidade de Brasília (UnB), hoje o Entorno é uma região de grande pobreza. A maioria das pessoas, moradoras de cidades como Águas Lindas de Goiás, Luziânia, Novo Gama, migrou de Minas Gerais, da Bahia ou do interior de Goiás, na esperança de melhorar de vida, devido à proximidade com Brasília. “Onde tem capital é natural que ela seja um polo de atração. Brasília é o coração logístico e o cérebro administrativo do Brasil. A tendência é ter mais gente passando por aqui. Brasília e Goiânia, por exemplo, deverão estar cada vez mais próximas geograficamente”, explicou.

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Como as corporações têm lucros por se associar a causas de caridade

Slavoj Zizek *

Eu quero desenvolver uma linha de pensamento sobre um ponto: por que, na nossa economia, a caridade não é mais apenas uma idiossincrasia de algumas pessoas boas aqui e ali, mas o componente básico da nossa economia.

No capitalismo de hoje, há uma tendência crescente em juntar [ganhar dinheiro e caridade] em um único agrupamento, de modo que quando você compra algo, o direito anticonsumista de fazer algo pelos outros, para o ambiente e assim por diante, já está incluído dentro dele.

Se você acha que estou exagerando, eles estão em toda esquina. Entre em qualquer café Starbucks, e você vai ver como eles dizem explicitamente que – eu cito a sua campanha: “Não é só o que você está comprando, é o que você está comprando.” E então eles descrevem para você. Ouça: “Quando você compra Starbucks, conscientemente ou não você está comprando algo maior do que uma xícara de café. Você está comprando uma ética de café. Através do nosso programa Starbucks “Planeta Compartilhado”, nós compramos mais café do ‘comércio justo’ [Fair trade] do que qualquer outra empresa no mundo, garantindo que os agricultores que cultivam o grão recebam um preço justo pelo seu trabalho árduo. E nós investimos e melhoramos as práticas de cultivo do café e as comunidades ao redor do globo. É um bom karma do café.” E um pouco do preço de uma xícara de café do Starbucks ajuda a mobiliar o local com cadeiras confortáveis, e assim por diante.

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Consumo é o oxigênio do capitalismo

Artigo de Maurício Gomide Martins

A partir do século XVIII, as guerras, quando não motivadas por interesses econômicos, foram ‘salutares’ para esses mesmos objetivos, representados pelos oportunistas encastelados nos países com vocação imperialista. O esqueleto econômico do sistema capitalista foi se fortalecendo, chegando ao estágio de patrocinar e escolher os governantes de uma nação.

Os acontecimentos de 2008, classificados de graves, deram ao tesouro de cada país o recado: “me salve ou arrasto todos para o buraco”. E o conjunto governamental de um país se viu na situação de atender a essa ameaça, por não ter outro caminho a seguir. Afinal, a construção política de um país é desenhada segundo os interesses econômicos das grandes empresas que têm o verdadeiro poder de mando.

Com isso, o dinheiro entesourado provindo dos tributos pagos pela sociedade consumidora é desviado para acudir as corporações econômicas, principalmente os Bancos que são os condutores e intermediários dos valores virtuais atribuídos a um pedaço de papel chamada dinheiro e que tem o atributo de se reproduzir pelo artifício dos juros.

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Você tem que se decidir: a árvore ou o PIB?

O “Chomsky Verde” não poupa palavras para alertar sobre a crise invisível da fome. Claro e incisivo em suas opiniões, Devinder Sharma é o tipo de entrevistado que coloca o editor numa situação complicada. Pinçar o mais importante entre tantas colocações cruciais torna-se um desafio técnico.

Devinder Sharma, 55 anos, é jornalista, escrevendo e mantendo colunas em um punhado de jornais editados em diferentes línguas indianas – e freqüentemente é solicitado para foros de debate e entrevistas, inclusive pela rede americana CNN. Sharma mantém seu blog “Ground Reality”, Realidade Nua e Crua, numa tradução livre, focado no debate sobre políticas para alimentação, agricultura e fome (http://devinder-sharma.blogspot.com/) – visitado por dezenas de milhares de internautas em todo o mundo, sobretudo formadores de opinião.

Sharma mora em Nova Deli, onde dirige uma iniciativa independente chamada Foro para a Biotecnologia e Segurança Alimentar. Autodefine-se como um “analista sobre políticas para alimentação e comércio”. Tem formação agronômica, sendo reconhecido estudioso e pensador sobre o desenvolvimento, a sustentabilidade e a fome, tema de livros que tem publicado. Chomsky Verde foi o apelido que ganhou do semanário indiano The Week no ano passado pela similaridade de sua postura crítica ampla e aguda com a do famoso lingüista e pensador americano Noam Chomsky. Devinder Sharma ainda encontra tempo para constantes visitas e debates em comunidades rurais de seu país.

A passagem recente pelo Brasil aprofundou sua análise sobre o país. As conclusões são pouco lisonjeiras. Confessa-se “assombrado diante do modo como as empresas de agronegócio, incluindo gigantes internacionais, controlam a economia brasileira”, sem entender como o Brasil, com todo o “vasto celeiro de biodiversidade e riqueza genética que possui”, prefere um modelo de desenvolvimento rural que “marginaliza as comunidades rurais e deixa rastros profundos de destruição ecológica”.

Em tempos de crise financeira mundial e emergências globais, Sharma denuncia o aumento da fome no mundo e acentua o protagonismo popular na superação das crises, lembrando Ghandi – “Ele nos disse que se faz necessário um sistema de produção pelas massas e não para as massas”. Não faz por menos, detona em série com os modelos atuais de desenvolvimento – “a ‘economia do crescimento’ que as economias emergentes perseguem é, na realidade, nada mais que economia da violência”; com o endeusamento do PIB – “é uma cortina de fumaça para que o rico explore o pobre”; com o capitalismo wallstreetiano – “levará o mundo na direção da extinção da espécie humana”; com a democracia tal como se apresenta hoje no mundo, com a ONU, sobrando ainda para os economistas.

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Avançamos com a COP-10?

Conferência do Japão celebrou acordos inéditos que servirão de base para o combate à biopirataria e proteção de ecossistemas. Alguns compromissos, porém, beiram a utopia

Publicado em 03/11/2010

Fabiane Ziolla Menezes, com agências

Depois de duas semanas de negociação, em Nagoya, no Ja­pão, representantes de 193 países chegaram a acordos para a conservação e o uso sustentável da biodiversidade global na 10.ª Confe­rência das Partes (COP-10) da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB). No pacote está um plano estratégico de 20 metas para 2020 e a aprovação de um protocolo global inédito de acesso e repartição de benefícios relacionados ao uso de recursos genéticos chamado de ABS (sigla em inglês para Access and Benefit-Sharing, ou Acesso e Repartição de Benefícios), que será um dos principais instrumentos no combate à biopirataria.

Esse protocolo, aliás, era uma das maiores reivindicações do Brasil para a concordância com outros compromissos e metas do encontro. O documento não tem regras explícitas, mas deixa claro que é preciso que países fornecedores e usuários da biodiversidade entrem em acordo a cada nova patente de um produto, por exemplo.

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse à Agência Brasil que as novas regras internacionais sobre acesso e uso de recursos da biodiversidade deverão complementar e estimular a implementação da legislação nacional sobre o tema. Atual­mente, a questão é regulada por uma medida provisória.

Outro ponto importante de negociação para o Brasil era a promessa de financiamento, por parte dos países ricos, dos programas de conservação de biodiversidade. Sem dinheiro não há como cumprir as metas firmadas. Nesse aspecto, o Japão foi o que mais abriu o bolso. Ofereceu US$ 2 bilhões e a criação da Fundação de Biodiversidade do Japão. França, União Europeia e Noruega também colocaram quantias na mesa. Na COP de 2012, os países terão de apresentar seus planos de investimento em biodiversidade para conseguir os recursos financeiros oferecidos.

Compromissos

Entre as 20 metas adotadas estão a proteção de pelo menos 17% dos ecossistemas terrestres e de água doce do planeta (hoje são 13%) e 10% dos marinhos e costeiros (contra os 6% atuais). A perda de habitats naturais deverá ser reduzida pela metade, podendo chegar perto de zero “onde for possível”, e 15% das áreas degradadas existentes deverão ser recuperadas.

Segundo a organização do evento, desde 2004, cerca de 6 mil novas áreas de proteção foram estabelecidas em todo o mundo, cobrindo mais de 60 milhões de hectares. Ainda assim nenhuma das metas estabelecidas em 2000 foi alcançada, o que torna o cumprimento dos compromissos recém-firmados em Nagoya algo próximo da utopia. “A preservação da biodiversidade é um desafio enorme porque depende da mudança de comportamento de todas as pessoas. Há uma relação muito forte entre o crescimento dos países emergentes, como o Brasil e a China, e o padrão de consumo dos Estados Unidos e da União Europeia. Estamos consumindo mais que o planeta tem a oferecer. É uma conta que não fecha”, diz o presidente do Con­selho Diretor do Instituto Life, que participou da COP -10, Clovis Borges. Segundo uma pesquisa da WWF (World Wildlife Fund), a humanidade está utilizando um planeta Terra e meio para sustentar suas atividades.

Segundo a ministra do Meio Ambiente, o próximo passo do Brasil em relação à COP-10 é a elaboração das versões nacionais para as metas de conservação e o detalhamento de como o Brasil irá se comprometer com a biodiversidade até 2020. Para ela, o combate ao desmatamento no Cerrado será um dos grandes desafios do Brasil.

Fonte: Gazeta do Povo, citado em OngCea.

Dia do Consumidor Consciente – 15/10

Porque será que o governo não estimula um hábito mais urgente para o meio ambiente: a redução do padrão de consumo dos brasileiros, que está bem perto daquele já conhecido dos estadounidenses. Mas não, fala somente da sacola plástica. O que esperar se até o nome da sacola ecológica eles importaram – ecobag?!
É bom lembrar que, antes de qualquer um, dia 15 de outubro é Dia do Professor. Se esse profissional fosse valorizado na nossa sociedade, será que precisaríamos de criar o Dia do Consumidor Consciente? Enfim, só para pensar…

Neste 15 de outubro, para comemorar o Dia do Consumidor Consciente, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) pergunta aos consumidores: Onde está a sua ecobag?. O objetivo é estimular o consumidor a levar a sua sacola retornável para passear e evitar as sacolas plásticas que tanto prejudicam o meio ambiente, entupindo bueiros, causando enchentes, poluindo mares e matando tartarugas. Para ser consumidor consciente não basta ter sua linda sacola retornável de enfeite em casa, é preciso usá-la!

Em 2009, o desafio de “Um dia sem sacolas plásticas” foi aceito. Muita gente apoiou, comprou ecobags e, em um ano de campanha Saco é um Saco, fortalecida pela parceria com grandes redes de supermercados e empresas, foi possível evitar o consumo de cerca de 1 bilhão de sacolas plásticas.

A consciência sobre os impactos das sacolinhas no meio ambiente cresceu, como também as vendas de ecobags. Item de venda, acessório fashion ou reflexo da preocupação ambiental, o fato é que as sacolas retornáveis se alastraram pelo Brasil. Mas onde estão as sacolas retornáveis? Essa é a pergunta que o MMA faz neste Dia do Consumidor Consciente. Se tantas ecobags foram vendidas, por que não vemos mais consumidores utilizando-as no dia-a-dia?

Depois de conscientizar e de mostrar os impactos das sacolas plásticas no meio ambiente, o momento é de mudar velhos hábitos na prática. Agora os consumidores estão sendo convocados a tirarem suas ecobags do armário de casa ou do porta-malas do carro para transportarem tudo o que consumirem, sejam as compras de supermercado, de roupas, de livros, de eletrônicos ou de brinquedos.

Incentivo do setor privado – Neste ano grandes empresas também toparam o desafio e estão apoiando a campanha. A Unilever doou mil sacolas retornáveis, que serão distribuídas pelo Homem-Ecobag no dia 15 de outubro, no estande do MMA, montado na 29ª Feira do Livro de Brasília, que acontece no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade.

Quem passear pela Feira ainda vai ganhar fitinhas do estilo Senhor do Bomfim, doadas pelo Carrefour, com mensagens personalizadas para lembrar o brasileiro a levar sua ecobag quando for às compras. Ao todo, serão distribuídas duas mil fitinhas na Feira do Livro. Quando amarrar sua fitinha e fizer os três pedidos de Consumidor Consciente, que tal mentalizar um mundo livre de sacolas plásticas, praias e ruas sem lixo e um futuro mais limpo para todos?
Outras duas mil fitinhas doadas pela rede de supermercados serão distribuídas pela Secretaria do Ambiente do Rio de Janeiro às pessoas que passarem pela Cinelândia ou pela Praça XV, no centro do Rio.

Ainda no dia 15, o próprio Carrefour distribuirá mais duas mil fitinhas em São Paulo, na loja de Pinheiros, e promoverá o “Dia da Sacola Cheia” para divulgar o Plano de Ação para Produção e Consumo Sustentáveis do MMA e apresentar os resultados alcançados nas lojas de Piracicaba e Jundiaí, ambas no interior de São Paulo, onde as sacolas plásticas foram banidas. No mesmo dia, o Carrefour lança na web o vídeo “Onde está sua ecobag?”. A ideia é ampliar a divulgação da campanha e contagiar os internautas para que o vídeo se torne uma verdadeira febre online.
Durante todo o dia 15, as operadoras de celular, TIM e Vivo, vão enviar mensagens sobre consumo consciente aos seus mais de 40 mil e 66 mil seguidores do Twitter, respectivamente.

Já a livraria Saraiva distribuirá 150 mil marcadores de páginas do Dia do Consumidor Consciente nas lojas da rede, que ainda terão banners instalados com a identidade visual da campanha Saco é um Saco.

Curtas de animação – Para marcar a data, o MMA e o Ministério da Cultura lançam a segunda edição do concurso de curtas de animação, o 2º CineAmbiente, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, às 16 horas. Na oportunidade, serão exibidos em primeira mão os curtas premiados no 1º CineAmbiente, promovido em 2009.

Para o 2º CineAmbiente serão selecionados dez projetos e cada um receberá R$ 20 mil para produções de 1 minuto sobre o tema “Consumo Sustentável e Biodiversidade”. A principal janela de exibição dos curtas será o circuito Tela Verde do MMA e as TVs públicas. As inscrições ficam abertas até dia 20 de novembro. Edital e Informações: disponíveis no site do Ministério da Cultura -http://www.cultura.gov.br/site/2010/10/05/cine-ambiente//

Participe – Apesar de prática, quando aceitamos uma sacola na locadora, na farmácia ou na padaria, não temos noção que, anualmente 1 trilhão delas são descartadas inadequadamente no meio ambiente mundial.

No Brasil , estima-se que 1,712 milhão de sacolas plásticas são consumidas a cada hora. Com uma conta rápida chegamos aos 41 milhões em 24 horas, 1,25 bilhão por mês e 15 bilhões por ano . Imagine quantos recursos naturais podem ser poupados em um único dia de consumo consciente.

Use sua ecobag e ajude a diminuir o impacto ambiental causado pelas sacolinhas plásticas. No dia 15 de outubro adote um novo hábito de vida, contribua para diminuir esses números e se torne mais um consumidor consciente capaz de transformar a vida no Planeta. O importante é assumir um compromisso com a sustentabilidade ambiental e adotar hábitos em favor de um futuro menos descartável.
Saco é um saco. Pra cidade, pro Planeta, pro Futuro e pra Você. Recuse, reduza, reutilize! Lembre da sua ecobag.

Fonte: MMA