[Brasília]: Grupo de estudos em Educação Democrática

Àquelas pessoas que amam Educação e seus potenciais,

Estamos iniciando um grupo de estudos, reflexões e ações, com candang@s que almejam uma educação emancipatória, solidária, integral, autônoma, espiritualista do ser humano. O objetivo principal é desenvolver uma escola – ambiente de aprendizagem – com esses fundamentos/princípios e com a aplicação dessa filosofia de vida, transformando os seres envolvidos, os quais transformarão o mundo presente.

Devido a esse caráter libertário, o grupo está aberto a tod@s que queiram participar. São bem-vind@s! Os requisitos são – somente – boa vontade e disponibilidade de tempo e energia, quaisquer que sejam eles.

Quem estiver interessad@, pode responder aqui no blog ou no e-mail candangosolidario@yahoo.com.br, com seu nome, e-mail e possibilidade de tempo de trabalho. Quaisquer dúvidas também podem ser dirimidas nesses canais.

Sejamos e construamos a mudança que queremos no mundo!

Qualquer caminhada começa com o primeiro passo. Que esta seja longa e transformadora.

Abraços solidários!

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Paulo Freire – Pedagogia da Autonomia (parte 3/3)

Última parte da resenha do livro Pedagogia da Autonomia

O capítulo final contempla os últimos nove saberes essenciais para Paulo Freire. A temática principal relaciona-se à ideia de que ensinar é uma especificidade humana, uma influência recíproca das relações homem-homem e homem-mundo. Sobre isso, o autor coloca o primeiro saber: ensinar exige segurança, competência profissional e generosidade. Segurança conquistada na sua prática firme de perguntar, refletir, decidir, reconhecer-se incompleto, avaliar-se, errar e acertar. Competência profissional gerada por essa segurança e seriedade no comando da sua profissão e pela sua autoridade moral, reflexo da coerência entre teoria e prática. E generosidade no trato com os educandos e suas dificuldades, sem qualquer tipo de julgamento, criando um ambiente justo, ético e respeitoso. O segundo ponto diz respeito à exigência de comprometimento do educador para com os outros e consigo mesmo. Ensinar é mostrar-se, revelar suas idéias e sentimentos (na prática pedagógica é impossível uma neutralidade), ser submetido à avaliação dos outros, e, por conseguinte, preocupar-se com o seu desempenho profissional. No terceiro, em razão da natureza social humana, o ensinar é uma intervenção do homem no mundo, seja para manter, seja para modificar a ideologia dominante e o estado social, político e econômico da realidade.

O quarto saber é: ensinar exige liberdade e autoridade. Duas características aparentemente contraditórias por causa de suas deformidades – a licenciosidade e o autoritarismo. A liberdade requer limites, ainda sutis de se descobrir. Porém, são eles, juntamente com a coerência e o exemplo, que conferem autoridade à pratica democrática/libertadora. É preciso saber reconhecer o tempo e o espaço adequados ao uso dos limites. No quinto, o autor revela a exigência da tomada consciente de decisão, explicando-a pelo que chama sabiamente de politicidade de educação. Esta é naturalmente política em razão de o homem ser inacabado e ter consciência disso. Com isso, ele torna-se um ser ético, de opções, de possibilidades, de decisões. Logo, por ser político, o educador não pode agir com neutralidade.

O sexto saber é: ensinar exige saber escutar. Para aprender a falar com os educandos – e não, de forma impositiva, sobre ou para eles –, o educador precisa escutá-los crítica e humildemente. Com isso, aprende-se a silenciar-se e a ouvir o que o outro fala, gerando um ambiente solidário e democrático.

Na esteira da politicidade da educação, vem o sétimo ponto, em que o autor afirma que se deve reconhecer que a educação é ideológica. O educador deve, de um lado, duvidar de suas certezas, e de outro, estar aberto ao contato com o outro, com o diferente. Deve estar disposto a repensar suas verdades e a questionar a ideologia capitalista dominante. Aqui, quebra-se a barreira do cientificismo “imparcial” e a simples transferência de conteúdo na educação, pois abre a possibilidade de mudanças sociais que condenem o atual estado das coisas. O penúltimo saber do capítulo diz sobre a disponibilidade para o diálogo por parte de quem ensina, falando e ouvindo com quem aprende. A conversa franca com o outro provoca a assunção de que ninguém sabe tudo ou ignora tudo. Essa disponibilidade à realidade, com a qual se constrói a segurança do educador, deve considerar ainda conhecer o contexto ecológico, social e econômico.

No último saber, Paulo Freire reafirma a importância da ética na prática pedagógica. Ensinar exige querer bem aos educandos, estar aberto humildemente as suas emoções, sentimentos, sonhos, descartando a ditadura da racionalidade. Significa unir a seriedade docente com a afetividade, afinal, todos gostamos de ser bem tratados.

Paulo Freire – Pedagogia da Autonomia (parte 2/3)

O capítulo 2 também apresenta nove saberes necessários aos educadores, os quais remetem à ideia de que ensinar não é transferir conhecimento do educador ao educando, mas construí-lo e criá-lo juntos. O primeiro e o segundo saberes tratam, respectivamente, sobre as condições de inacabamento e condicionamento – e não determinismo – do ser humano. O homem tem o direito e o dever de ser mais; é um eterno aprendiz, mesmo com os condicionamentos biológicos, sociais, culturais. Por isso, o educador-educando e o educando-educador são sujeitos dialógicos e éticos que, juntos, ensinam o que já sabem e aprendem o que não sabem, além de respeitarem os saberes um do outro. Essa autonomia do ser – mote principal da obra – é expressa no terceiro ponto. O quarto traz a relevância do uso do bom-senso por quem ensina. Construído e aperfeiçoado com a indagação, o questionamento e a reflexão da prática educativa, o bom-senso deve ser (re)visitado pelo educador em todas as suas situações pedagógicas. No quinto, Paulo Freire toca na questão da luta política dos educadores por melhores remunerações e condições de trabalho. Pondera que se deve ser humilde e tolerante nessa luta, inclusive para não desgostar da profissão, afetando, assim, a relação de amorosidade e respeito com os educandos. Logo, é uma luta importante, mas sem se esquecer de que a prioridade é sempre a educação, e não ganhos pessoais.

Em continuação, o sexto saber refere-se à necessidade de apreender substantivamente a realidade, sobretudo a do educando, pois é por meio dela que se constrói a prática educativa. Para o educando, há maiores oportunidades de aprender quando envolve algo da sua realidade, da sua concretude. No sétimo, o autor afirma que ensinar exige alegria e esperança, estando as duas correlacionadas. E como esses dois sentimentos estão em falta nos nossos educadores. A esperança progressista advém inclusive da possibilidade de mudança da realidade injusta, fatalista e cínica do modelo econômico vigente. A convicção de que essa mudança é possível por meio de uma ação político-pedagógica é colocada, dentro do segundo capítulo, como o oitavo saber. O futuro do homem, porque histórico, é incerto e construído socialmente. Para fechar o capítulo, o nono ponto retoma e aprofunda a temática da curiosidade como motor do aprendizado, as diferenças entre a ingênua e a epistemológica, sua incorporação pelo educando e pelo educador, e suas conseqüências na pedagogia dialógica.

Paulo Freire – Pedagogia da Autonomia (parte 1/3)

Primeira parte de um pequeno resumo do livro Pedagogia da Autonomia do grande mestre Paulo Freire.

O livro está estruturado em três capítulos, dentro dos quais o autor enumera e explica vinte e sete saberes mais que fundamentais – obrigatórios – na formação docente e na reflexão sobre a prática educativa, principalmente a progressista. Contudo, antes dos capítulos, o autor apresenta uma seção chamada “Primeiras Palavras”, em que escreve sobre os objetivos e as justificativas do livro. Neste espaço, ainda afirma suas tendências progressistas, sua raiva ao neoliberalismo, sua apologia à reflexão crítica teoria/prática, e mais fortemente, a existência da ética no trabalho pedagógico.

No capitulo 1, Paulo Freire inicia considerando alguns dos conhecimentos explicados ao longo do livro essenciais para qualquer educador, e não somente ao progressista. Quando afirma que não há docência sem discência, refere-se à construção do conhecimento em um processo dialógico e dialético entre educador e educando, o que contrasta com a chamada “educação bancária”, caracterizada pela transferência de conteúdo do primeiro para o último. Esse tipo de educação tão vigorante no presente leva-nos a ponderar que os ensinamentos do autor ou estão passando longe do processo de formação dos educadores, ou não estão sendo apreendidos em sua grandeza e profundidade.

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