Entrevista Pignati – “Não existe uso seguro de agrotóxicos”

Intoxicações crônicas que, em longo prazo, resultam em câncer, descontrole da tireoide, do sistema neurológico em geral, surdez, diminuição da acuidade visual e até mesmo Mal de Parkinson são possíveis problemas de saúde causados pelos agrotóxicos. De acordo com o médico sanitarista Wanderlei Pignati, quem trabalha com saúde pública não deixa de se perguntar onde foram parar os conteúdos dos temíveis frascos de agrotóxicos.

Produtos banidos pela União Europeia continuam a ser usados no Brasil, país do mundo que mais emprega pesticidas em suas lavouras. Por que razão isso continua a ser permitido, questiona Pignati. Onde está o comprometimento com o ambiente, como um todo? A situação é tão grave que, além de serem encontradas nos alimentos, na água, no solo, no ar, essas substâncias foram detectadas, inclusive, no leite materno.

Conforme Pignati, na entrevista que concedeu por e-mail à IHU On-Line, “vários tipos de agrotóxicos se depositam na gordura e muitos deles, como os clorados, nunca mais saem dela. É o caso do endosulfan. Quando a mulher produz o leite para amamentar seu filho, esse líquido terá agrotóxico em sua composição. Isso porque o leite é composto por 2 a 3% de gordura”.

Como se isso não fosse assustador o bastante, o médico é categórico ao afirmar que é impossível um uso totalmente seguro dos agrotóxicos. Mesmo que sejam usados equipamentos de proteção individual pelos trabalhadores que fazem as aplicações nas lavouras, “esses produtos penetram pela mucosa de pele, do olho, da orelha das pessoas, e inclusive pela respiração”.

Wanderlei Pignati é graduado pela Universidade de Brasília – UnB, especialista em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo – USP, mestre em Saúde e Meio Ambiente pela Universidade Federal do Mato Grosso – UFMT e doutor em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública Fundação Oswaldo Cruz com a tese Os riscos, agravos e vigilância em saúde no espaço de desenvolvimento do agronegócio no Mato Grosso. Estuda a contaminação das águas e as bacias, além de participar de uma pesquisa no município de Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso do Sul, onde há cinco anos houve um grande acidente de contaminação por agrotóxicos por pulverização. Atualmente, leciona na UFMT.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Quais são as principais consequências do uso de agrotóxicos para as águas, no caso, os rios e suas nascentes, bacias e os lençóis d’água?

Wanderlei Pignati – A água é um dos componentes ambientais para onde os resíduos de agrotóxicos vão. Com o uso intensivo de agrotóxicos na agricultura brasileira isso vem se agravando. No ano passado, foram usados cerca de um bilhão de litros de agrotóxicos em nosso país, do tipo que se compra em agropecuárias. Não estou falando do agrotóxico diluído. Um litro de herbicida comprado nesses estabelecimentos é diluído em 100 litros de água para fazer a calda e pulverizar. Isso tem um destino, e parte vai para combater aquilo que se costuma chamar de “pragas da lavoura”. São insetos e ervas classificadas como daninhas, como os fungos. Uma parte vai para o solo, outra evapora e vai para o ar. Uma outra condensa e vai para a chuva, e outra ainda vai para o lençol freático. Essa ida dos agrotóxicos para o lençol freático é o que irá deixar resíduos na água potável ou na água dos rios, córregos e do Pantanal, inclusive. Isso terá impactos na saúde dos animais e dos seres humanos.

O grande problema, na verdade, não são as embalagens vazias de agrotóxicos. Claro que o ideal é que elas sejam recolhidas, pois em sua maioria são feitas de plástico. Mas quem se preocupa com a saúde pública e ambiente como um todo se pergunta onde foi parar o que estava dentro desses frascos. Esses produtos vão parar nesses componentes ambientais, inclusive nos alimentos. Resíduos de agrotóxicos podem ser encontrados não só na água, mas nos alimentos, na chuva, ar, solo. Quando falo de resíduos de agrotóxicos nos alimentos, refiro-me inclusive ao leite materno.

Fizemos uma pesquisa e constatamos a presença de agrotóxicos no leite materno de mulheres matogrossenses. Na cidade de Lucas do Rio Verde, interior do Mato Grosso, é usada larga quantidade de agrotóxicos nas culturas da soja, milho e algodão. Isso se reflete nos alimentos produzidos e, inclusive, no leite materno. Vários tipos de agrotóxicos se depositam na gordura e muitos, como os clorados, nunca mais saem dela. É o caso do endosulfan. Quando a mulher produz o leite para amamentar seu filho, esse líquido terá agrotóxico em sua composição. Isso porque o leite é composto por 2 a 3% de gordura. Assim, inclusive a própria criança pode ser prejudicada. A análise de resíduos de agrotóxicos no leite materno é, portanto, muito importante. Foi o que fizemos, analisando dez tipos diferentes desses produtos. Todos eles estavam presentes no leite de 62 mulheres dessa cidade. Isso é muito problemático, pois o alimento que deveria ser o mais puro da nossa vida está também contaminado. Espero que sejam tomadas medidas para que isso não continue a ocorrer.

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[Brasilia]: Jornada Contra o Uso de Agrotóxicos, em defesa do Código Florestal e pela Reforma Agrária

Jornada Contra o Uso de Agrotóxicos, em defesa do Código Florestal e pela Reforma Agrária – Brasília/DF

“Se ser político é reclamar das injustiças. Então, eu sou político” – Patativa do Assaré

06 de abril

Mesas e rodas de diálogo

FUP – UNB – Planaltina

Mesa redonda: “Agrotóxicos – da pesquisa à industrialização e comercialização, saúde e justiça ambiental”

Palestrantes: César Koppe Grisolia (Prof. UNB – autor do livro “agrotóxicos, mutações, câncer e reprodução”) e Fernando Carneiro (Prof. UNB e integrante da Coordenação do Fórum Nacional de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos).

Moderadores: Flavio M. Pereira da Costa – professor e coordenador do núcleo de Agroecologia (FUP) e Ricardo T. Neder – Observatório do movimento pela tecnologia social na América Latina.

Horário e Local: 08 horas – Auditório do Campus UnB Planaltina.

IFB – Planaltina

Mesa redonda: “Alimentação Escolar e Agrotóxicos: Os Princípios da Alimentação Saudável e da segurança alimentar”

Palestrantes: Maria Luiza (Coordenadora de Agricultura Familiar – PNAE/FNDE) e Letícia Silva (ANVISA).

Moderadora: Paula Petracco (IfamBiental)

Horário e local: 13:30 às 15:30 horas – Auditório do IFB

UNB – Darcy Ribeiro

Roda de diálogos sobre Agrotóxicos

Palestrantes: Fernando Carneiro (Prof. UNB e integrante da Coordenação do Fórum Nacional de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos) e Ana Maria Junqueira (Profa. UNB – Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária)

Moderador: Fábio dos Santos Miranda (Associação Brasileira de Estudantes de Engenharia Florestal).

Horário e local: 12:40 às 14:00 horas – Anfiteatro 09

07 de abril

Ato Público

Marcha dos trabalhadores em defesa do Código Florestal, contra o Uso de Agrotóxicos e pela Reforma Agrária.

Concentração: 07 horas no ExpoBrasilia (Parque da Cidade) e 09 horas (em frente ao Congresso Nacional).

Audiência Pública

“Agrotóxicos e saúde dos trabalhadores”

Debatedores: Via Campesina, Fórum Brasileiro de Combate aos Efeitos dos Agrotóxicos e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

Local e horário: às 09 horas, na Câmara Federal

Aula ampliada

“Saúde, ambiente e trabalho: o risco dos agrotóxicos”
Debatedor: Fernando Carneiro
Local e horário: 14 às 17horas – Auditório 3 da Faculdade de Saúde Coletiva da UNB.

Sua participação é indispensável, agende-se!

[Brasília]: Hoje Reunião Geral Campanha Contra os Agrotóxicos e pela Vida

CAMPANHA PERMANENTE CONTRA OS AGROTÓXICOS E PELA VIDA

Participe da Reunião de articulação da Campanha no DF
28/03 (segunda-feira), as 18h30 no SINDSEP-DF.
(Setor Bancário Sul, Quadra 01 Bloco “K” – Ed. Seguradoras 16º andar)

A pauta da reunião será o fechamento da agenda dos dias 06 e 07 de abril (audiência pública, seminários na UNB e ato público).

Participem.

Comitê Distrital da Campanha

Mercado dos agrotóxicos, legislação e irregularidades

Mais um informe da Campanha Contra os Agrotóxicos.

O Brasil é o principal destino de agrotóxicos proibidos no exterior, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU). Pelo menos dez variedades vendidas livremente aos agricultores, no Brasil, não circulam na União Europeia e Estados Unidos. Para fabricantes e fornecedores, os riscos de prejuízo são mínimos. Desde 2002, apenas quatro produtos foram barrados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Um exemplo é o endossulfam, uma substância considerada altamente tóxica e associada a problemas reprodutivos. Por isso é vetado em 45 países. No entanto, a comissão formada pela Anvisa, Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) e Ministério da Agricultura decidiu que o produto será banido somente em 2013. Em 2009, o Brasil importou mais de duas mil toneladas do endossulfam, de acordo com a Secretaria de Comércio Exterior. Para a gerente de normatização da Avisa, Letícia Silva, isso é resultado da pressão das empresas.

“A pressão sempre é no sentido de avaliar mais rápido determinado produto, para que ele possa chegar ao mercado mais depressa e passar à frente de outras empresas. No caso de reavaliação, existe pressão para o produto não ser reavaliado. Isto significa poder tirá-lo do mercado. Isso ocorreu tanto no âmbito político, com tentativas de sustar a reavaliação toxicológica iniciada pela Anvisa, como também no âmbito judicial. As empresas ingressaram com três ações diferentes para impedir a reavaliação daqueles 14 produtos agrotóxicos que Anvisa colocou em avaliação em 2008.”

A pressão das empresas passa por diversas instituições. Em 2010, as empresas Shell e Basf conseguiram reverter uma condenação bilionária, que indenizava ex-funcionários de uma fábrica de agrotóxicos de Paulínia, que ficaram doentes por conta do contato com os produtos químicos. A presidente do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável do Rio Grande do Sul, Regina Miranda, avalia que a legislação está sofrendo modificações a partir dos interesses das empresas.

“A regulamentação não é clara. E ela vem mudando progressivamente, numa postura de criar essa confusão dos legisladores para judiciar o uso irregular. Numa hora, o agrotóxico é proibido, mas liberam o genérico dele, que recebe outro nome científico e é liberado, mas o nome comercial é proibido. Existe uma confusão em tudo isso. Pouca capacidade do Estado de acompanhar, regular e capacitar agricultores para o uso. Então, ele contamina o trabalhador da indústria que fabrica, contamina o agricultor que o utiliza, no solo, e as pessoas que bebem água contaminada e comem os alimentos com agrotóxicos.”

Um total de 2.195 marcas de agrotóxicos estão registradas no Brasil. Segundo o sindicato do setor, 400 toneladas de produtos sem registro já foram apreendidas desde 2001. O comércio ilegal movimenta R$ 500 milhões por ano.

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“Agrotóxico vai contaminar a água e desequilibrar a oferta de alimentos”, diz pesquisadora

Por: João Peres e Leandro Melito

Publicado em 10/03/2011

Raquel Rigotto, durante aula na Fiocruz (Foto: EPSJV/Fundação Osvaldo Cruz/Divulgação)

São Paulo – A professora e pesquisadora do Departamento de Saúde Comunitária da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará, Raquel Rigotto, alerta para o risco de contaminação das áreas agriculturáveis do país devido ao uso abusivo de agrotóxicos por parte das empresas do agronegócio.

Em entrevista à Rede Brasil Atual, Raquel, que também é coordenadora do Núcleo Tramas – Trabalho, Meio Ambiente e Saúde, critica o modelo de desenvolvimento agrícola adotado pelo Brasil e prevê que a continuidade do atual padrão pode levar ao adoecimento da população, além de pouco contribuir para o abastecimento e a segurança alimentar no país.

Leia a seguir a íntegra da entrevista:

O Ibama divulgou no fim de janeiro uma pesquisa sobre os agrotóxicos, que confirma que 67% das vendas destes insumos estão na mão da Monsanto. Como isso se relaciona com um consumo tão grande de agrotóxico, o que isso indica em termos de alimentação e de segurança alimentar?

Em termos de alimentação, nós vamos ter um comprometimento importante na contaminação da água e na contaminação dos alimentos propriamente ditos e isso acarreta implicações muito importantes pra saúde humana. Há evidências que a ingestão de água contaminada com pequenas doses de diferentes princípios ativos de agrotóxicos podem provocar uma série de agravos à saúde, como o câncer. Especialmente o câncer de mama, já temos evidências de como o DDT, por exemplo, pode provocar alteração do sistema imunológico, alteração do sistema endócrino, do fígado, dos rins e da pele, alteração sanguínea, alergias, enfim, um amplo leque de agravos à saúde.

Em termos de segurança alimentar é importante a gente considerar também que o agronegócio está voltado para a produção de commodities, então ele tem ocupado terras agricultadas e terras férteis, tem se expandido através de biomas fundamentais para o equilíbrio ecológico como a Amazônia, o cerrado e a caatinga.

Com isso, ele concentra terra e reduz o espaço da produção da agricultura e com isso estamos assistindo à alta dos preços dos alimentos. Processo semelhante está acontecendo nos Estados Unidos com o etanol a partir do milho. Ações do agronegócio têm tido muita implicação na segurança alimentar, além da incompatibilidade da convivência entre o modelo de produção da agricultura camponesa e o modelo do agronegócio.

Nós temos acompanhado por exemplo assentamentos do MST rodeados de empreendimentos do agronegócio, em que as pulverizações são muito frequentes e as chamadas pragas saem (das plantações) do agronegócio por causa do veneno e vão para as plantações dos camponeses.

Sobre a questão da alta do preço dos alimentos, já faz alguns anos que se vem alertando pra isso. Qual vai ser a saída pra isso, se mantivermos a opção pela industrialização agrícola?

A gente tem uma artificialização cada vez maior do padrão alimentar da população em função disso, a soja, por exemplo, vai ser usada como componente da ração que vai ser oferecida a animais, e isso volta pra nós em forma de ‘nuggets’.

Temos visto um crescimento rápido de obesidade entre adolescentes brasileiros. O IBGE mostrou que essa obesidade é acompanhada por um padrão nutricional precário, déficit imunológico, ingestão de várias substâncias químicas, como corantes e conservantes. Também provoca uma contaminação por causa do lixo gerado pelas embalagens dos alimentos.

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Jornada de Lutas já mobiliza 10 estados contra agrotóxicos

A Jornada de Lutas das Mulheres da Via Campesina, que mobilizou 10 estados desde o começo da semana, denuncia os impactos para a saúde humana e para o ambiente do uso abusivo dos agrotóxicos e aponta a responsabilidade do modelo de produção do agronegócio.

Em todo o Brasil, as camponesas, em conjunto com outros movimentos urbanos, denunciam que o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, inclusive de agentes contaminantes totalmente nocivos a saúde humana, animal e vegetal que já foram proibidos em outros países.

As ações denunciam os efeitos nocivos para a saúde e meio ambiente da utilização anual de mais de um bilhão de litros de venenos, de acordo com dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Agrícola. O Brasil ocupa o primeiro lugar na lista de países consumidores de agrotóxicos desde 2009.

“A produção em grande escala com venenos traz conseqüência para a vida das pessoas, seja no campo, seja na cidade. Temos necessidade de consolidar esse debate na cidade, que é um debate para a humanidade”, afirma Marisa de Fátima da Luz, assentada na região do Pontal do Paranapanema (SP), e integrante da Coordenação Nacional do MST.

Nesta quinta-feira, as mulheres fizeram protestos em São Paulo e Minas Gerais.

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Você tem que se decidir: a árvore ou o PIB?

O “Chomsky Verde” não poupa palavras para alertar sobre a crise invisível da fome. Claro e incisivo em suas opiniões, Devinder Sharma é o tipo de entrevistado que coloca o editor numa situação complicada. Pinçar o mais importante entre tantas colocações cruciais torna-se um desafio técnico.

Devinder Sharma, 55 anos, é jornalista, escrevendo e mantendo colunas em um punhado de jornais editados em diferentes línguas indianas – e freqüentemente é solicitado para foros de debate e entrevistas, inclusive pela rede americana CNN. Sharma mantém seu blog “Ground Reality”, Realidade Nua e Crua, numa tradução livre, focado no debate sobre políticas para alimentação, agricultura e fome (http://devinder-sharma.blogspot.com/) – visitado por dezenas de milhares de internautas em todo o mundo, sobretudo formadores de opinião.

Sharma mora em Nova Deli, onde dirige uma iniciativa independente chamada Foro para a Biotecnologia e Segurança Alimentar. Autodefine-se como um “analista sobre políticas para alimentação e comércio”. Tem formação agronômica, sendo reconhecido estudioso e pensador sobre o desenvolvimento, a sustentabilidade e a fome, tema de livros que tem publicado. Chomsky Verde foi o apelido que ganhou do semanário indiano The Week no ano passado pela similaridade de sua postura crítica ampla e aguda com a do famoso lingüista e pensador americano Noam Chomsky. Devinder Sharma ainda encontra tempo para constantes visitas e debates em comunidades rurais de seu país.

A passagem recente pelo Brasil aprofundou sua análise sobre o país. As conclusões são pouco lisonjeiras. Confessa-se “assombrado diante do modo como as empresas de agronegócio, incluindo gigantes internacionais, controlam a economia brasileira”, sem entender como o Brasil, com todo o “vasto celeiro de biodiversidade e riqueza genética que possui”, prefere um modelo de desenvolvimento rural que “marginaliza as comunidades rurais e deixa rastros profundos de destruição ecológica”.

Em tempos de crise financeira mundial e emergências globais, Sharma denuncia o aumento da fome no mundo e acentua o protagonismo popular na superação das crises, lembrando Ghandi – “Ele nos disse que se faz necessário um sistema de produção pelas massas e não para as massas”. Não faz por menos, detona em série com os modelos atuais de desenvolvimento – “a ‘economia do crescimento’ que as economias emergentes perseguem é, na realidade, nada mais que economia da violência”; com o endeusamento do PIB – “é uma cortina de fumaça para que o rico explore o pobre”; com o capitalismo wallstreetiano – “levará o mundo na direção da extinção da espécie humana”; com a democracia tal como se apresenta hoje no mundo, com a ONU, sobrando ainda para os economistas.

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