[Brasília]: Slow Food Cerrado

Repassando…

Slow Food Cerrado

 

Posted: 13 May 2014 07:26 AM PDT
De 05 a 08 de junho de 2014, a Rede Cerrado realizará no Complexo Cultural Funarte, em Brasília-DF o VIII Encontro e Feira dos Povos do Cerrado, que deve reunir cerca de 700 representantes de comunidades tradicionais, indígenas, quilombolas, geraizeiros, vazanteiros, quebradeiras de coco, agricultores familiares.
A ação dará sequência à tradição de encontros iniciada em 2001, que já aconteceram em Goiânia-GO, Montes Claros -MG e Brasília-DF, consolidando-se como um espaço para: troca de experiências que resultem na conservação do Cerrado e na promoção de meios de vida sustentáveis; valorização das tradições culturais dos Povos do Cerrado; discussão e formulação de posições políticas conjuntas; e divulgação pública dos problemas socioambientais que afetam o bioma, como também das alternativas existentes para o uso sustentável de sua biodiversidade.
O objetivo é aproveitar a semana que é celebrado o Dia Mundial do Meio Ambiente, para chamar a atenção das autoridades para os principais problemas relativos ao direito à terra, áreas protegidas e produção agroextrativista. Para isso, o evento conta com uma rica programação de debates, mesas redondas, seminários, incluindo as atrações culturais, a feira dos produtos da sociobiodiversidade e a praça gastronômica.
Além de lideranças vindas de várias regiões onde há Cerrado brasileiro (DF, Goiás, Tocantins, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Mato Grosso, Piauí, São Paulo e Bahia), o Encontro terá a participação especialistas e gestores públicos, bem como de representantes de organizações da sociedade civil, da academia e institutos de pesquisa. O governo federal será representado por diversos órgãos e ministérios. A intenção é encerrar o evento com diretrizes de uma agenda consistente que garanta o fortalecimento da conservação e uso sustentável do Cerrado.
Mais informações aqui.
Confira como foi o VII Encontro nas fotos abaixo:

Posted: 10 May 2014 07:04 AM PDT
Texto: Ana Paula Jacques
Fotos: Ana Paula Jacques e Jean Marconi
Publicado Originalmente no blog Pitadas de Gastronomia
Hoje o dia foi produtivo para os associados do convívio Slow Food Cerrado. Logo cedo, os convívas estiveram presentes na segunda oficina do projeto Cerrado Vivo. Idealizado pelos chefs Simon Lau (Aquavit), Agenor Maia (Olivae), Fabiana Pinheiro (Versão Tupiniquim) e Sebastian Parasole (coordenador de gastronomia do IESB), as oficinas apresentadas procuram conscientizar cozinheiros e estudantes de gastronomia para os sabores disponíveis no Cerrado e sua utilização sustentável na gastronomia. De forma articulada, o projeto reúne ainda produtores, pesquisadores e promete uma série de iniciativas para valorização os produtos do bioma.


Sebastian Parasole apresentando o projeto Cerrado Vivo.

Na sequência, os associados fizeram uma visita ao Quilombo Mesquita. Localizado em Cidade Ocidental (GO), cerca de 40km do Plano Piloto de Brasília, o povoado reúne aproximadamente seiscentas famílias quilombolas e muita história. O grupo foi recepcionado com um farto banquete de almoço e acompanhou a emoção dos moradores com os festejos da Folia do Divino.


Igreja do povoado em Cidade Ocidental-GO.
Festejos da Folia do Divino.
Os preparativos do almoço no fogão a lenha.
Cozinheira orgulhosa e feliz.
O banquete do almoço alusivo
aos festejos da Folia do Divino.

Ao lado do Sr. João Antônio Ferreira, ou “Seu” João, os associados percorreram a comunidade e ainda degustaram a Marmelada de Santa Luzia, a especialidade do Quilombo Mesquita. Produzida artesanalmente há mais de 150 anos, a marmelada está inscrita na lista de produtos da Arca do Gosto do Slow Food. Os segredos da receita são passados de pai para filho há diversas gerações mas, segundo informações do “Seu” João, a produção diminuiu sensivelmente na última década. 

A marmelada de Santa Luzia produzida no Quilombo Mesquita.

Um dos fatores apontados pelo produtor do doce para a queda na produção foi a pressão imobiliária. A proximidade com a capital federal resultou no interesse pelas terras dos quilombolas e uma constante pressão imobiliária que pode ser visualizada nos condomínios que dominam a paisagem do trajeto de Brasília até o povoado. Além disso, a expansão da soja na região trouxe uma série de problemas como pragas agrícolas que atacam os pés de marmelo (Cydonia oblonga Mill) e reduzem significativamente a produtividade (ou matam as árvores).

“Seu” João, um dos resistentes produtores da
marmelada de Santa Luzia, falando sobre
as pragas agrícolas que chegaram com a soja.


Nesse contexto, apenas três famílias persistem e seguem produzindo a tradicional marmelada. “Seu” Jõao reforça que aprendeu a receita aos 13 anos e ainda se emociona ao lembrar a história dos seus pais e avós. “Eu não posso deixar essa tradição acabar porque são muitos anos de luta e suor representados nesse doce”, diz. Para assegurar a continuidade do preparo, ele já passou a receita para o filho João Paulo que o ajuda na produção e fabricação das caixas da marmelada. Apesar disso, a burocracia é um limitador para expansão das vendas na capital e a produção fica restrita às cidades próximas ao Quilombo.


O tacho de cobre que produz a tradicional marmelada.

As ações do convívio foram acompanhadas por Valentina Bianco, a coordenadora do Slow Food Internacional para a América Latina, que veio ao Brasil para reuniões em diversas cidades. A partir das conversas e entrevistas realizadas durante a visita ao Quilombo Mesquita, o compromisso do Slow Food é facilitar o acesso dos produtores ao mercado (e outras iniciativas).O Slow Food Cerrado agradece a participação de todos os associados, o prestígio do SF Internacional ao convívio e, principalmente, a receptividade e hospitalidade dos quilombolas. A próxima visita certamente será durante a Festa do Marmelo (em janeiro) que acontece depois da safra e marca o início da produção e comercialização da marmelada.

Como disse no início, o dia foi muito produtivo!

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