Educadores lançam manifesto contra o fechamento de escolas no meio rural


Da Página do MST

Um grupo de professores, intelectuais e entidades da área da educação assinaram manifesto lançado pelo MST, nesta sexta-feira (14/10), que denuncia o fechamento de 24 mil escolas no meio rural e cobra a implementação de políticas para o fortalecimento da educação do campo.

“Fechar uma escola do campo significa privar milhares de jovens de seu direito à escolarização, à formação como cidadãos e ao ensino que contemple e se dê em sua realidade e como parte de sua cultura. Num país de milhares de analfabetos, impedir por motivos econômicos ou administrativos o acesso dos jovens à escola é, sim, um crime!”, denuncia o documento.

Entre 2002 e 2009, mais de 24 mil escolas do campo foram fechadas. Os dados do Censo Escolar do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), do Ministério da Educação, apontam que, no meio rural, existiam 107.432 escolas em 2002. Já em 2009, o número de estabelecimentos de ensino reduziu para 83.036.

Assine você também o manifesto

O manifesto é assinado pela filósofa Marilena Chauí, professora de Filosofia da Universidade de São Paulo, os educadores Dermeval Saviani, doutor em Filosofia da Educação e professor da Universidade Estadual de Campinas, Gaudêncio Frigotto, professor titular aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF) e Roberto Leher, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, entre outros.

Entre as entidades, subscrevem o documento a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e a Ação Educativa.

Abaixo, leia o manifesto.

CAMPANHA FECHAR ESCOLAS É CRIME!

Mais de 24 mil escolas do campo foram fechadas nos últimos oito anos

A Educação é um direito fundamental garantido pela Constituição Federal (Título II – Dos Direitos e Garantias Fundamentais, Capítulo III, seção I) – direito de todos e dever do Estado. Entretanto, nos últimos anos, milhares de crianças e adolescentes, filhos e filhas de camponeses, estão sendo privados deste direito.

Nos últimos oito anos, mais de 24 mil escolas do campo foram fechadas. Os dados do Censo Escolar do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), do Ministério da Educação, apontam que, no meio rural, existiam 107.432 escolas em 2002. Já em 2009, o número de estabelecimentos de ensino reduziu para 83.036.

Para essas famílias camponesas, o anúncio do fechamento de uma escola na sua comunidade ou nas redondezas significa relegar seus filhos ao transporte escolar precarizado, às longas viagens diárias de ida e volta, saindo de madrugada e chegando no meio da tarde; à perda da convivência familiar, ao abandono da cultura do trabalho do campo e a tantos outros problemas.

O resultado comum desse processo é o abandono da escola, por grande parte daqueles levados do campo para estudar na cidade. É por essa razão que os níveis de escolaridade persistem muito baixos no campo brasileiro, em que pese tenha-se investido esforços e recursos para a universalização da educação básica.

Portanto, fechar uma escola do campo significa privar milhares de jovens de seu direito à escolarização, à formação como cidadãos e ao ensino que contemple e se dê em sua realidade e como parte de sua cultura. Num país de milhares de analfabetos, impedir por motivos econômicos ou administrativos o acesso dos jovens à escola é, sim, um crime!

A situação seria ainda mais grave não fosse a luta dos movimentos sociais do campo, por políticas de ampliação, recuperação, investimentos, formação de educadores e construção de escolas no campo. Importantes para reduzir a marcha do descaso dos gestores públicos para com os sujeitos do campo, mas insuficiente para garantir a universalização do acesso à educação no campo.

Denunciamos essa trágica realidade e conclamamos aos gestores públicos municipais, estaduais e federais que suspendam essa política excludente, revertendo o fechamento de escolas e ampliando o acesso à educação do campo e no campo. Conclamamos também a sociedade brasileira para que se manifeste em defesa do direito humano à educação, em defesa dos direitos das crianças, adolescentes e jovens do campo frequentarem a educação básica, no campo.

Defender as escolas do campo é uma obrigação, fechar escolas é um crime contra as futuras gerações e a própria sociedade!

Assinam

Marilena Chauí – Professora de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP)

Dermeval Saviani- Doutor em Filosofia da Educação – Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP),

Gaudêncio Frigotto, Professor Titular aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF) mestre e doutor em Educação

Roberto Leher – Professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Celi Zulke Taffarel – Doutora em Educação – Universidade Federal da Bahia (UFBA)

Sergio Lessa, professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Alagoas Universidade Federal de Alagoas (UFAL)

Elza Margarida de Mendonça Peixoto – Doutora em Educação – Universidade Federal da Bahia (UFBA)

Attíco Chassot- Atua na área de Educação, com ênfase em Alfabetização científica e História e Filosofia da Ciência – Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS)

Gelsa Knijnik- Doutora em Educação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS)

Luiz Carlos de Freitas- é professor da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)

Cláudio Eduardo Félix dos Santos – Doutorando em Educação – Professor da Universidade do Estado da Bahia (UNEB)

Mauro Titton – Professor do Centro de Educação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)

Daniel Cara – Cientista Político – Coordenador Geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação.

Entidades

Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE)- Presidente Roberto Franklin de Leão

Ação Educativa – Sergio Haddad, economista, doutor em educação, coordenador geral

ActionAid

Centro de Cultura Luiz Freire – (CCLF)

Latinoamericana da educação – Campaña Latinoamericana por el Derecho a la Educación – (CLADE) – Coordenadora Camilla Crosso

Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (CEDECA- CE) -– Coordenadora Margarida Marques

E-Changer Brasil – Solidariedade, construção coletiva, intercambio entre os povos – Coordenação – Djalma Costa

 

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[Brasília]: ABA fala sobre “A proteção do Santuário dos Pajés”

A proteção do Santuário dos Pajés
Laudo entregue a FUNAI por antropólogos indicados pela ABA esclarece a questão
19/10/2011

João Pacheco de Oliveira

Diante dos acontecimentos repercutidos na sociedade brasiliense e na imprensa nacional sobre a invasão da terra indígena Bananal ou Santuário dos Pajés, localizada no Plano Piloto da Capital Federal, o que tem acarretado na destruição do cerrado e em violência física contra indígenas e seus simpatizantes, a Comissão de Assuntos Indígenas (CAI) da Associação Brasileira de Antropologia (ABA) vem a público alertar para a urgência da identificação, delimitação, demarcação e proteção da área, e prestar os seguintes esclarecimentos:

1 – Por solicitação da FUNAI, a ABA indicou dois experientes antropólogos para a elaboração do laudo antropológico sobre a área, cujos nomes foram previamente referendados por lideranças da comunidade indígena do Santuário dos Pajés, onde vivem famílias Fulni-ô, Kariri Xocó e Tuxá, oriundas do Nordeste do país. São eles: Prof. Dr. Jorge Eremites de Oliveira (coordenador) e Prof. Dr. Levi Marques Pereira (colaborador), ambos docentes da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), sediada em Mato Grosso do Sul, onde atuam nos programas de pós-graduação em Antropologia e História, tendo participado da produção de diversos laudos administrativos e judiciais sobre terras indígenas naquele estado, todos aprovados pelo órgão indigenista oficial.

2 – O estudo intitulado Laudo antropológico referente à diligência técnica realizada em parte da área da antiga Fazenda Bananal, também conhecida como Santuário dos Pajés, localizada na cidade Brasília, Distrito Federal, Brasil, concluído sob a coordenação do antropólogo Prof. Dr. Jorge Eremites de Oliveira, foi entregue no início de setembro de 2011 a servidores da FUNAI em Brasília, a antropólogos do Ministério Público Federal (MPF) e a lideranças da comunidade indígena do Santuário dos Pajés. Mais recentemente, no dia 13/10/2011, foi entregue uma nota complementar com medições da terra indígena à Presidência da FUNAI, MPF e lideranças do Santuário dos Pajés.

3 – O Laudo concluído atesta de maneira clara, objetiva e consistente que se trata de terra tradicionalmente ocupada por comunidade indígena, cuja extensão é de, pelo menos, 50,91 hectares. Atesta que a ocupação indígena no Santuário dos Pajés remonta a fins da década de 1950, quando ali chegaram indígenas da etnia Fulni-ô, provenientes de Águas Belas, Pernambuco, e iniciaram o processo de ocupação da área. Posteriormente, a partir da década de 1970, famílias Tuxá e Fulni-ô estabeleceram moradia permanente no lugar e ali passaram a constituir uma comunidade multiétnica, com fortes vínculos de tradicionalidade com a terra e participantes de uma complexa rede de relações sociais. Mais tarde somaram-se a elas famílias Kariri Xocó. Um Processo da FUNAI no qual constavam importantes documentos para o esclarecimento dos fatos, inclusive procedimentos oficiais para a regularização da área, sob Nº 1.607/1996, desapareceu de dentro do próprio órgão indigenista.

4 – Nos últimos anos, parte da área tem sofrido impactos negativos diretos pelas obras do Projeto Imobiliário Setor Noroeste, sob a responsabilidade da empresa TERRACAP, cujo licenciamento ambiental ocorreu sem o necessário estudo do componente indígena local. Além disso, tem sido registrada a destruição da área de preservação ambiental e o uso da violência física contra membros das famílias indígenas e seus apoiadores, bem como prejuízos às suas moradias e demais benfeitorias, conforme divulgado pela imprensa nacional.

5 – É urgente que a FUNAI constitua um Grupo de Trabalho para proceder aos estudos necessários à identificação, delimitação e demarcação da terra indígena, em conformidade com a lei. Isso é necessário que a Justiça faça jus ao próprio nome e proíba a continuidade das obras, solicitando a retirada das construtoras da área e apurando as violações aos direitos humanos, indígenas e ambientais que têm sido amplamente divulgadas nos meios de comunicação.

6 – A morosidade da FUNAI em tomar as providências para assegurar os direitos territoriais, inclusive no que se refere à entrega formal do laudo à Justiça, tem aumentado a situação de vulnerabilidade e causado grandes prejuízos àquela comunidade indígena e à conservação ambiental do lugar. Tal postura favorece os setores ligados à especulação imobiliária em Brasília e seus aliados políticos, inclusive pessoas ligadas a conhecidos esquemas de corrupção no Distrito Federal e segmentos da impressa a elas vinculados, os quais seguidamente distorcem e manipulam os fatos a favor de seus patrocinadores.
João Pacheco de Oliveira é Coordenador da Comissão de Assuntos Indígenas/ABA

[Brasília]: Feira na UnB mostra níveis de agrotóxicos nos alimentos

Feira na UnB mostra níveis de agrotóxicos nos alimentos

16/10/2011 por Moni Abreu

Na feirinha, em vez de preços, os índices de contaminação por agrotóxico

Mariana Fernandes se disse chocada ao ver a exposição Feirinha dos envenenados de cada dia, no Ceubinho, na Universidade de Brasília (UnB). Como toda feira, frutas, verduras e legumes estão expostos, mas ao invés do preço ao lado, as taxas de contaminação por agrotóxico tomam seu lugar. “Estou pasma de saber que eu ingiro veneno junto ao alimento. É preocupante eu comer e não saber de nada disso”, afirmou a estudante do 5º semestre de História.

O diretor do documentário O veneno está na mesa, Sílvio Tendler, conta que a aluna não é a única a desconhecer os dados. “O assunto era apenas papo de bicho-grilo. Depois que a grande mídia começou a perceber que também era vítima da política generalizada de esvaziar a importância do problema, ela começou a tratar do assunto de uma maneira pública. Daí a questão se agravou porque depois que chega à grande mídia, fica difícil controlar a informação”. Para o diretor, as pessoas não sabem a importância do mal que o veneno faz.
De acordo com Sílvio Tendler, é bem difícil estabelecer quais são os efeitos dos agrotóxicos para os consumidores porque há uma mistura tão grande desses venenos que as pessoas se tornam vulneráveis. Mas ele afirma que o crescimento da incidência de algumas doenças como o mal de Alzheimer e o câncer indicam uma relação com a contaminação da comida. Embora não haja provas científicas, muitos especialistas defendem que essa relação exista. “Acho que não vale a pena pagar para ver”, diz Silvio.
A feira fez parte do seminário Crise do Capital, Chagas da Terra e Luta dos Povos pela Vida, organizado pelo Núcleo de Pesquisa sobre Poder Local, Políticas Urbanas e Serviço Social e pelo Núcleo de Estudos Cubanos.

Acesso em: http://novosurbanos.wordpress.com/2011/10/16/feira-na-unb-mostra-niveis-de-agrotoxicos-nos-alimentos/

[Brasília]: Campanha contra agrotóxicos apresenta reivindicações ao Governo do Distrito Federal

Campanha contra agrotóxicos apresenta reivindicações ao Governo do Distrito Federal
Em reunião acontecida hoje (18 de outubro) o Comitê DF da “Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida” entregou ao governo do Distrito Federal (GDF) pauta de reivindicações sobre o tratamento do tema dos Agrotóxicos em nosso território.

Na reunião estavam presentes membros da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Distrito Federal (secretário, presidente EMATER, presidente CEASA, Sub-secretário de Desenvolvimento Rural e Agricultura Familiar do GDF, e outros assessores), além de militantes da Campanha.

O GDF recebeu a pauta de reivindicações e se comprometeu em dar uma resposta as demandas apresentadas.

Abaixo pauta apresentada:

Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida
Pauta Reivindicação apresentada ao GDF

Fortalecimento da Agricultura Camponesa e da Transição Agroecológica

1) Ampliar os esforços para incluir agricultores familiares nas políticas públicas voltadas à compra direta de alimentos;
2) Fortalecer a Transição Agroecológica, com meta de no curto prazo 30 % da alimentação escolar, seja produzida de forma orgânica e por agricultores familiares do DF;
3) Ampliar e dar visibilidade às experiências de agricultura orgânica / agroecologia / sistemas agroflorestais existentes no Distrito Federal;
4) Ampliar e fortalecer a estrutura da coordenação de agroecologia do Distrito Federal para ampliar ações de incentivo à Transição Agroecológica;
5) Estabelecer parceria com os núcleos de Agroecologia nas escolas técnicas / integrar alunos das escolas às atividades de campo, em especial junto aos assentamentos existentes no Distrito Federal, com apoio da Emater.
A questão ambiental na educação formal

6) Estruturar ações de Educação Ambiental e hortas escolares, em parceria com as escolas de ensino fundamental e médio no Distrito Federal, incluindo a questão do agrotóxico como tema transversal.
A comercialização de produtos orgânicos ou agroecológicos

7) Incentivo à venda de produtos com o rótulo “sem agrotóxicos”
8) Ação articulada com a Emater para aumentar o número de produtores familiares orgânicos no “Mercado Orgânico do Ceasa”
9) Organizar adesão de agricultores às formas alternativas de “certificação” – popularizar os selos de garantia junto aos consumidores do CEASA;
Fim da pulverização aérea no Distrito Federal

10) A pulverização aérea no Distrito Federal é proibida pela Lei nº 414, de 15 de janeiro de 1993. Exigimos o cumprimento desta lei. Que se implemente no Distrito Federal fiscalização rigorosa, e articulação com os órgãos agropecuários de GO para fiscalizar aeroportos no entorno do DF
Monitoramento de resíduos em alimentos

11) Que se estabeleça programa de monitoramento dos resíduos de agrotóxicos nos alimentos comercializados no CEASA;

Políticas públicas no âmbito da saúde
12) Que a Secretaria de Saúde do Distrito Federal organize padrão de registro, notificação e monitoramento no âmbito do SUS, dos casos de contaminações por agrotóxicos, seja nos casos agudos decorrentes do uso de agrotóxicos, seja no caso de enfermidades decorrentes de sua contaminação por água, meio ambiente ou alimentos, orientando a todos profissionais de saúde, para esses procedimentos;
13) Incluir nas estratégias de prevenção do sistema de saúde do governo do DF a questão dos agrotóxicos, como problema de saúde pública, em especial na área rural, onde está a população mais vulnerável;
14) Reduzir a sub-notificação, através da estruturação de um sistema de notificação de contaminações por agrotóxicos eficiente no DF;

Sobre o direito a informação
15) Que haja fiscalização por parte do governo, IDEC e Procon para que se cumpra o código do consumidor, garantindo que todos os produtos alimentícios apresentem no rótulo que foi usado agrotóxico na produção, e se contem transgênicos, como determina a lei, dando opção ao consumidor de optar por produtos saudáveis;
A precaução com os trabalhadores que lidam com agrotóxicos
16) Aumentar a fiscalização dos órgãos responsáveis por monitorar as condições de trabalho dos trabalhadores expostos aos agrotóxicos, desde a fabricação na indústria química até a utilização na lavoura;
17) Exigir que os Ministérios Públicos Estaduais e Federal, e organismos de meio ambiente no âmbito do Distrito Federal fiscalizem com maior rigor o uso de agrotóxicos e as contaminações decorrentes no meio ambiente, solo, vertentes, corregos, rios e o lençol subterrâneo de água;

O Fim da Isenção Fiscal
18) Que o governo do Distrito Federal retire todas as isenções fiscais, em especial ICMS e incentivos dados à produção, importação e comercialização de agrotóxicos. E que todo os impostos arrecadados com a venda de agrotóxicos sejam revertidos para a Transição Agroecológica no DF e entorno; e para ações de prevenção contra os impactos do uso de agrotóxicos na saúde da população.

19) Que se proceda a criação de um sistema integrado no DF, a partir do controle fiscal de produtos que entram e são comercializados, com fiscalização nos pontos de revenda, cruzando com informações sobre o Receituário Agronômico, em parceria com o Crea.

[Brasília]: “Mais agressões contra os defensores do Santuário” – Brasil de Fato

Em Brasília, cassetetes e armas de choque contra defensores do Santuário dos Pajés

seg, 2011-10-17 14:02 — Cristiano

Defensores dos direitos indígenas foram agredidos por seguranças particulares da construtora que usaram armas de choque elétrico e cassetetes
17/10/2011

Danielle Pereira
Brasília (DF)

Antonio Cruz/ABr

Nos últimos dias, um conflito que ocorre há anos na capital federal vem finalmente ocupando algum pedaço dos noticiáros, poucas páginas da grande imprensa e relativa atenção dos brasilienses. No centro da disputa está o Setor Noroeste, uma área de proteção ambiental, com nascentes e rica fauna e flora. De um lado está uma comunidade indígena Fulni-o Tapuya, que afirma residir no local há mais de 40 anos e batalha pelo reconhecimento e demarcação da terra. Do outro, as empreiteiras Emplavi e Brasal (e todo o poder político que o dinheiro pode comprar), interessadas em erguer o mais novo e cobiçado bairro de classe média alta de Brasília, onde um metro quadrado custa em torno de R$ 8 mil.
Desde o dia 3 deste mês, o Setor Noroeste é palco de disputa entre indígenas, sociedade civil e as empreiteiras, que deram início à construção dos prédios habitacionais. Os conflitos, suspensos no dia 6 e retomados no dia 11, tiveram a participação de milicianos (liderados por um Tenente Coronel da Polícia Militar do Distrito Federal) contratados pelas construtoras. Quem explica é o advogado dos indígenas, Ariel Foina. Na última quinta (13) e sexta-feiras (14) houve mais confrontos entre índios, estudantes e funcionários da empresa.

“Indígenas foram feridos, atacados com spray de pimenta. Um deles chegou a ser amarrado e exposto para os trabalhadores, só sendo libertado por intervenção da PM”, conta o advogado.

Frente aos acontecimentos da semana passada, na sexta-feira (14) reuniram-se o Governo do Distrito Federal (GDF), a Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap), o Ministério Público Federal e a Fundação Nacional do Índio (Funai). À pedido do presidente da Associação de Construtotas, que não pôde participar, nova reunião foi remarcada para a próxima terça-feira (18). “Até lá, as obras no Setor Noroeste estão suspensas por acordo, até que haja uma reunião com todos, incluindo a Associação de Empresas da Construção Civil, Terracap, indígenas, GDF e Funai”, diz Foina.
No entanto, nesta segunda-feira (17), mais uma empreiteira, a João Fortes, decidiu entrar na disputa e agravar o quadro de violência entre índios, sociedade civil e empresários. Os confrontos duraram de 10 da manhã às duas da tarde. A empreiteira acabou recuando. Um jornalista foi eletrocutado com uma arma de choque.
De acordo com o advogado, a comunidade luta desde 1991 junto à Funai pelo direito à terra. Já no Judiciário, a batalha é travada desde 2005. Ele explica que, com o recente parecer de antropólogos reconhecendo o local como área indígena, os Fulni-o Tapuya passaram a ser atacados pelas empreiteiras. Fato este que, segundo Foina, é visto pela comunidade com preocupação, uma vez que correm o risco de serem expulsos do Noroeste antes de o Judiciário poder dar uma decisão final sobre a questão. “A situação encontra-se em armistício até que se defina a questão do tamanho da área indígena, pois o relatório antropológico feito não especificou os exatos limites da area”, explica.

Esta não foi a primeira vez que as empreiteiras Emplavi e Brasal tentaram dar início às obras na região.
Sobre intereses
Ariel Foina comenta que, apesar de ter o direito de permanecer na terra por ser comunidade indígena reconhecida, os Fulni-o não tiveram os limites do seu território demarcado pela Funai, o que teria causado a invasão da área pela Emplavi.

A empreiteira figura-se na lista dos principais financiadores da campanha política do atual governador do DF, Agnelo Queiroz (PT), que doou exatos R$ 150.880,00 à campanha petista, como é possível comprovar no site do Tribunal Regional Eleitoral.

Além disso, a Emplavi contratou para sua defesa o ex-presidente da Terracap, o advogado Antônio Gomes: “O mesmo que vendeu as terras indígenas quando presidiu a empresa durante o governo Arruda, e que, ao vendê-las, omitiu das empreiteiras que se tratavam de terrenos em área já identificada pelo Ministério Público Federal como de ocupação tradicional indígena”.

E falando no governo de José Roberto Arruda (sim ele!) e seu vice, o riquíssimo construtor Paulo Octavio), vale lembrar que foram eles os responsáveis pelo andamento dos processos (liberação de licença e licitações) no Setor Noroeste. Em 2010, a Terracap comemorou a arrecadação de 290 milhões de reais em áreas licitadas. “O Setor Noroeste foi responsável por 32% da arrecadação nesta licitação”.
Agora, com governos focados na Copa do Mundo, que terá Brasília como uma das sedes dos jogos, as preocupações dos indígenas do Noroeste aumentam, assim como a tensão na região.

[Brasília]: Orgânicos ajudam a preservar o Cerrado no Distrito Federal

Os produtos são certificados e vêm dos chamados “sistemas agroflorestais”, onde monocultura e veneno são palavras proibidas. Por Aldem Bourscheit / WWF-Brasil
Orgânicos na feira da Estação Biológica (Asa Norte): benefícios à saúde e ao meio ambiente

Faça chuva ou sol, a cena se repete desde junho na feira orgânica da Estação Biológica, no fim da Asa Norte, em Brasília. A estrutura de lona protege as bancadas de madeira onde legumes, verduras, frutas e grãos de 15 agricultores familiares do Distrito Federal atraem dezenas de consumidores de todas as classes sociais nas manhãs de quinta-feira. Em poucas horas, tudo é vendido.
Os produtos são certificados e vêm dos chamados “sistemas agroflorestais”, onde monocultura e veneno são palavras proibidas. Eles associam o cultivo de árvores e verdadeiros alimentos sem uso de agrotóxicos e adubos químicos com recuperação de solo, paisagens e serviços ambientais no Cerrado. O resultado são itens mais saudáveis, que agradam aos olhos e ao paladar.
“Consumir orgânicos valoriza a agricultura familiar e ajuda a nossa saúde e a da natureza, pois deixamos de ingerir itens produzidos com agrotóxicos, valorizamos a biodiversidade e recuperamos a qualidade da terra onde se planta”, explica Gabriel Romeo, produtor e gerente da feira da Estação Biológica.
Além de supermercados, onde o custo é mais elevado, a produção de orgânicos no Distrito Federal pode ser encontrada em quase duas dezenas de feiras espalhadas pela região, se alternando durante os dias da semana. Os agricultores são todos de pequeno porte e, cada um com sua história, aos poucos vêm mudando a realidade produtiva em parte do Cerrado, e suas próprias vidas.

Batalha diária
Produtora em um dos primeiros assentamentos do Distrito Federal, em Sobradinho, a cearense Maria Roseli de Freitas (52) chegou à região com marido e seis filhos, há 17 anos. Peitando grileiros, políticos e a morosidade estatal, passaram um ano e meio debaixo de lona preta, acampados esperando por um lote.
Hoje ela planta e colhe pocã, mandioca, alface, cebola, jiló, pimentão, pimenta, banana, café, milho e mamão, sozinha. Também colhe belas flores com artesanato, cria galinhas no sistema Pais e produz biscoitos peta em uma fabriqueta. Tudo em parte dos 17 hectares de seu lote. Os alimentos são vendidos em feiras em Sobradinho e no Plano Piloto de Brasília.
“Com mais plantas no assentamento melhora a paisagem e reduz o trabalho de limpeza do terreno, coberto com a vegetação que vai caindo”, conta Roseli. “No futuro, penso em abrir uma trilha ecológica até o rio e cavar tanques para criar peixes. Mas sem dinheiro para investir, por enquanto é tudo sonho, vontade”, disse Roseli, também vice-presidente da associação do Assentamento Contagem.

Metamorfose agrícola
Quatro dos oito hectares da chácara Vida Verde são dedicados à produção que, até 2007, seguia o modelo comum de tudo desmatar para abrir espaços à monocultura, basicamente de alface e chuchu. Há três anos, a propriedade no interior de Ceilândia baniu agrotóxicos e insumos químicos e cobriu a área com uma infinidade de espécies.
“Graças a deus acordei. Minha vida mudou cem porcento, materialmente e psicologicamente. Hoje trabalho menos e ganho mais dinheiro do que no sistema antigo, pois a produção é diversificada e mais valorizada”, comemora o goiano Valdir de Oliveira.
Exemplo de sucesso produtivo, a propriedade recebe profissionais, professores e estudantes interessados em descobrir como recuperar a vitalidade de áreas agredidas pela agricultura tradicional. Da terra viva do Cerrado brotam hoje quiabo, maxixe, abóbora, chuchu, inhame, tomate comum e cereja, bananas, mandioca, cana-de-açúcar, feijão e maracujás.
Ano passado foram colhidas mais de uma tonelada de tomate e outra tonelada de inhame, umas 2 mil varas de cana e quase 4 toneladas de chuchu.
Outro segredo são as parcerias: um vizinho criador de gado troca adubo por capim, enquanto as flores amarelas da crotalária atraem os zangões que polinizam os maracujás. “De fora compramos às vezes apenas fósforo, para alguma correção rápida e pontual. De resto, toda a adubagem é orgânica, feita aqui mesmo”, conta Oliveira.

Preços na balança
O discurso repetido por ruralista sobre o alto custo dos alimentos orgânicos parece cair por terra quando eles são adquiridos fora dos locais tradicionais.
Comparamos preços de seis itens* no dia 6 de outubro, descobrindo que os orgânicos vendidos na feira da Estação Biológica estavam em média 50% mais caros que os produtos convencionais e quase 300% mais baratos que os orgânicos vendidos em um grande supermercado na mesma região.
Ou seja, um produto comum comercializado a um real no supermercado custaria quase R$ 4 se fosse oferecido como orgânico no mesmo local, ou seria vendido a R$ 1,50 nas pequenas feiras de orgânicos do Distrito Federal.
* beterraba, repolho, cenoura, cebola, banana prata, tomate cereja e couve.
WWF-Brasil – EcoAgência

Original em: http://www.ecoagencia.com.br/index.php?open=noticias&id=VZlSXRVVONlYHZFSOZFZhN2aKVVVB1TP

[Brasília]: Lançamento do Comitê DF em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Susten tável

Comitê DF faz lançamento no Museu da República e debate Código Florestal no dia 10/10

Na próxima segunda-feira (10/10), às 19h, o Museu da República abre seu auditório para o lançamento oficial do Comitê DF em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável, responsável pela mobilização da sociedade e de entidades, no Distrito Federal, contra as reformas previstas no Código Florestal, que propõem anistia a desmatadores e diminuição da vegetação nativa em todo o Brasil, entre outras.

Para o debate sobre o Código Florestal e seus impactos nas cidades e no país, já estão confirmadas as presenças dos deputados Erika Kokay (PT-DF) e José Reguffe (PDT- DF), do advogado ambientalista André Lima, da consultora de meio ambiente e urbanismo da TV Globo, a geógrafa Mônica Veríssimo, do presidente da Comissão de Direito Ambiental da OAB/DF, Getúlio Humberto Barbosa de Sá.

Além dos palestrantes, o evento contará com a participação das entidades que compõem o Comitê DF, fundado no dia 3 do mês passado, cujo principal objetivo é ajudar na coleta de assinaturas contra a reforma do Código Florestal, em curso no Senado Federal. “O comitê é um esforço de unir entidades diferentes para lutarem pela mesma causa. Esse tipo de organização só aconteceu no Brasil na campanha das Diretas Já e no movimento Ficha Limpa”, explica Pedro Ivo Batista, membro do Comitê Brasil.

Participe pegando seu abaixo-assinado no site www.florestafazadiferenca.org.br para coletar assinaturas em sua comunidade e divulgue a petição online. Faça você também a diferença comparecendo ao Museu da República na próxima segunda-feira e divulgue o blog http://comiteflorestasdf.blogspot.com/

Contatos para mais informações:

(61) 8539.4002 e 8142.4282
e-mail comiteflorestasdf
Cartaz do evento:
http://3.bp.blogspot.com/-Rki6R0Vb464/Topjwj_IBvI/AAAAAAAAAC8/DXR7nwgV9EM/s1600/Lan%25C3%25A7amento+do+comite+df+em+defesa+das+florestas.jpg