[Brasília]: Abraço as nascentes do Parque Olhos D’Água

CONVITE URGENTE:

Abraço as nascentes do Parque Olhos D’Água
NA MANHÃ DO PRÓXIMO DOMINGO, DIA 25 DE SETEMBRO, FAREMOS UM GRANDE ABRAÇO NAS NASCENTES QUE FORMAM O CÓRREGO DO PARQUE OLHOS D’ÁGUA, LOCALIZADO NO FINAL DA ASA NORTE, NA ÁREA DA S.Q.N. 413/414.

A CONCENTRAÇÃO SERÁ NO GRAMADÃO DA ENTRADA PRINCIPAL DO PARQUE, ÀS 10:00 HORAS. DEPOIS, CAMINHAREMOS PARA AS NASCENTES PARA REALIZAR O ABRAÇO.

COMPAREÇAM! PRECISAMOS DE PELO MENOS 1.000 PARTICIPANTES PARA ABRAÇAR TODA A ÁREA DAS NASCENTES AMEAÇADAS.

A ÁREA É DE FÁCIL CIRCULAÇÃO. PEDIMOS APENAS QUE USEM ROUPA OU CAMISA NA COR VERDE OU BRANCA E SAPATO FECHADO PARA FACILITAR A CAMINHADA. TRAGAM ÁGUA PARA BEBER. CRIANÇAS COM MAIS DE 5 ANOS CAMINHAM FACILMENTE PELO LOCAL DO ABRAÇO. CONTAMOS COM A SUA VALIOSA PRESENÇA E PEDIMOS QUE DIVULGUEM ESTE CONVITE. DESDE JÁ, UM “GRANDE ABRAÇO” .

RAZÃO DO ABRAÇO:

NÃO PODEMOS DEIXAR QUE A GANÂNCIA E IRRESPONSABILIDADE DE POUCOS TRANSFORME AS NASCENTES E O CÓRREGO DO PARQUE OLHOS D’ÁGUA EM “TÚMULOS DA NATUREZA”.

VAMOS ABRAÇAR AS NASCENTES COMO ATO DE PROTEÇÃO E CARINHO DO CIDADÃO PELO PATRIMÔNIO AMBIENTAL DA NOSSA CAPITAL, PEDINDO QUE INCLUAM ESSA ÁREA NA POLIGONAL DO PARQUE, VISANDO A SUA PROTEÇÃO DEFINITIVA.

QUEREMOS MOSTRAR PARA AS AUTORIDADES, ESPECIALMENTE PARA O GOVERNADOR AGNELO, QUE POR DECRETO PODE AMPLIAR A POLIGONAL DO PARQUE E PARA O SECRETÁRIO DO MEIO AMBIENTE E RECURSOS HÍDRICOS, EDUARDO BRANDÃO, A QUEM CABE LIBERAR PARA AS CONSTRUTORAS O ALVARÁ DAS OBRAS INDESEJÁVEIS, QUE NÃO CONCORDAMOS COM A CONSTRUÇÃO DE UM “SHOPPING” E TRÊS PRÉDIOS RESIDENCIAIS EM CIMA DAS NASCENTES DO CÓRREGO DO PARQUE OLHOS D’ÁGUA. QUEREMOS QUE CUMPRAM O NOSSO CÓDIGO FLORESTAL, QUE PROIBE CONSTRUÇÕES NESSAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. CASO CONSTRUAM, AS NASCENTES E O CÓRREGO DO PARQUE SECARÃO E PERDEREMOS A PRÓPRIA RAZÃO DA CRIAÇÃO DO PARQUE: LAZER COM PRESERVAÇÃO DA NATUREZA E DE SEUS BELOS RECURSOS HÍDRICOS .

DE QUE ADIANTA A PREOCUPAÇÃO COM O AQUECIMENTO GLOBAL E COM OS NOSSOS RIOS, FLORESTAS E MARES , SE, NA PRÁTICA, NÃO ENFRENTARMOS OS ABUSOS AMBIENTAIS NO CENTRO DA CAPITAL, QUE É O NOSSO QUINTAL. BRASÍLIA DEVERIA SER UM EXEMPLO PARA TODO O PAÍS . PRECISAMOS PENSAR GLOBALMENTE , AGIR LOCALMENTE E TRANSMITIR ESSA POSTURA PARA O MAIOR NÚMERO POSSÍVEL DE PESSOAS.

PRECISAMOS MUITO DE VOCÊ. DIVULGUE ESTE CONVITE E VENHA PARA O ABRAÇO!

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[Brasília]: Curso de “Marxismo e Questão Ambientão Hoje” – Inscrições Abertas

Estão abertas as inscrições para o

III Curso de Conjuntura Política do Jornal Brasil de Fato em Brasília

Marxismo e a questão ambiental hoje

no link
http://www.brasildefato.com.br/content/formulário-de-inscrição-do-curso-marxismo-e-questão-ambiental

Programação

Módulo Assessor Data
Desenvolvimento brasileiro e Meio Ambiente – a questão agrária Ariovaldo Umbelino de Oliveira
Departamento de Geografia da FFLCH – USP
13 de outubro
Teoria econômica, marxismo e meio ambiente João Machado Borges Neto
Departamento de Economia -PUC/SP
20 de outubro
Ecossocialismo Pedro Ivo Batista
Rede Brasileira de Ecossocialistas (RBE)
27 de outubro
Projeto Popular e a questão ambiental Diego Augusto Diehl
Mestre em Direito Ambiental UFPA e doutorando Direito/Unb
Movimento dos Atingidos por Barragens
03 de novembro

LOCAL: Universidade de Brasília Auditório 12 do Instituto Central de Ciências (ICC)
HORÁRIO: 19h00 as 22H00
PÚBLICO ALVO: aberto a todos os interessados
NÚMERO DE VAGAS: 80 (oitenta), com direito a
· material de apoio
· certificado de participação de 20 horas, emitido pela Escola Nacional Florestan Fernandes e Jornal Brasil de Fato
PERÍODO DE INSCRIÇÃO: de 09 de setembro a 10 de outubro de 2011, na página do Jornal Brasil de Fato –
http://www.brasildefato.com.br/content/formulário-de-inscrição-do-curso-marxismo-e-questão-ambiental

TAXA: Não- assinantes e renovação: R$ 135, com direito a uma assinatura por 1 ano
Assinantes: R$ 50, sem direito a renovação.

FORMAS DE PAGAMENTO: Depósito Bancário ou Cartão de Crédito (Visa ou MasterCard, em até 4 vezes , sem juros )

MAIORES INFORMAÇÕES

ccpbdf

Raphael – 8230-0767 / Marcius – 8274-3983 / Gladstone – 8255-2835

REALIZAÇÃO: Jornal Brasil de Fato / Escola Nacional Florestan Fernandes

Araraquara proíbe rodeios e sinaliza tendência no interior

Quem sabe um dia essa tendência chegue aqui!

Araraquara proíbe rodeios e sinaliza tendência no interior

Clara Roman 8 de setembro de 2011 às 19:19h Por pressão de sociedades protetoras aos animais, Câmara aprova proibição a rodeios e similares, iniciando uma tendência no interior paulista. Foto: Odeio Rodeio

A Câmara Municipal de Araraquara aprovou por unanimidade, na terça-feira 6, uma lei que proíbe rodeios, touradas, vaquejadas e similares no município. Comemorada pelas Associações de Proteção aos Animais da cidade, a lei periga espalhar a tendência por outras cidades do interior paulista: Jaboticabal, Atibaia e São Carlos já entraram em contato com os vereadores araraquarenses solicitando informaçõe sobre o projeto.
Os rodeios e eventos do tipo são combatidos veementemente pelas sociedades protetoras. Para que os animais fiquem agitados e pulem, proporcionando a atração e o desafio aos peões e à plateia, diversas técnicas de castigo são utilizadas. Entre elas, o sedém, uma cinta que comprime a região da virilha do animal, inclusive órgãos genitais e esporas de metal. Além disso, muitos animais sofrem quedas em razão dos pulos e, geralmente, têm os ossos fraturados e precisam ser sacrificados.
No dia 19 de agosto, na última Festa do Peão de Barretos, a mais tradicional do País, um bezerro foi sacrificado após ser ferido na prova chamada Bulldog. A ocorrência reabriu a discussão, que chegou inclusive nas redes sociais como um dos principais tópicos do Twitter, depois de um Twitaço organizado por ativistas (entre eles, vegans e vegetarianos, que não ingerem carne animal e derivados).
A Câmara aprovou por unanimidade lei que proíbe rodeios na cidade. Foto: Odeio Rodeios

Leandro Ferro, fundador e secretário-geral do movimento Odeio Rodeio, que luta contra a realização desse tipo de evento, afirma que a própria prefeitura costuma ser beneficiada com os rodeios. “As prefeituras não oferecem opções culturais para as pesssoas”, diz ele. “Muitas vezes, os prefeitos se utilizam desses espaços com grande participação popular para se promover. As prefeituras se valem muito de populismo”, diz ele. Além disso, explica o ativista, as pessoas tem mais atração pelos shows de artistas famosos com entradas baratas do que pelas provas com animais.
Além dos políticos, cervejarias, criadores de bois e os próprios artistas sertanejos são beneficiados com esse mercado. Na festa do peão de Barretos, entre os patrocinadores, estão indústrias de carne, como a Friboi, da pecuária, como a Minerva, e também o portal UOL, a cervejaria Brahma, a montadora Honda, a Redecard, entre outras. Os ingressos para os shows variam de 20 a 400 reais.
Em Araraquara, a discussão teve início há cerca de um ano, conta o presidente da Câmara Aluisio Braz (PMDB), quando o vereador João Farias (PRB) fez um projeto de lei proibindo rodeios. Os clubes de rodeios da cidade reagiram, iniciando um processo de protestos, passeatas e conflitos entre os dois lados. Segundo o vereador, a cidade atrai comitivas de rodeios devido ao seu grande desenvolvimento econômico. O último show de música sertaneja reuniu mais de 30 mil pessoas.
Diante do impasse, o prefeito Marcelo Barbieri (PMDB) decidiu que Araraquara não tem tradição de rodeios e resolveu encampar o projeto que proibia a atividade. “Fazia 11 anos que não era realizado um evento na cidade, apesar da tradição da música sertaneja”, conta Aluisio.
Foto: Odeio Rodeio

Antes de ser aprovada, a lei recebeu uma ressalva: cavalgadas, leilões, exposições de animais, hipismo e atividades correlatas estão autorizadas, por serem provas que não apresentam sofrimento aos animais. Com a aprovação da lei, os clubes de cavaleiros manifestaram que devem fortalecer suas atividades para fortalecer a cultura country na cidade, através de shows sertanejos e leilões. Aluisio teme que a intenção final seja resgatar o gosto por rodeios na população e tentar reinstaurá-los depois.
Em algumas cidades, como Rio de Janeiro, São Paulo, Sorocaba, Guarulhos, Jundiaí e Mogí das Cruzes os rodeios são proibidos por lei. Em outras, como Bauru, Ribeirão Preto, Cravinhos, Ribeirão Bonito, por decisão judicial. O evento é mais comum no Sul e Sudeste, mas também tem seus similares, como as vaquejadas, que ainda sobrevivem nos estados do Nordeste. Por enquanto.

Clara Roman

Fonte: Carta Capital

[Brasília]: AMANHÃ – Grito dos Excluídos DF – Campanha Contra os Agrotóxicos e Pela Vida

GRITO DOS EXCLUÍDOS

07 de Setembro de 2011

– Pela Vida Grita a Terra. Por Direitos, Todos Nós! –

Em plena crise ambiental, econômica, energética, política e social, diversas organizações do campo e da cidade se reúnem mais uma vez para dar o seu Grito dos Excluídos! Conscientes de que a forma da transformação está na mobilização popular, a população se recusa a fazer parte das festividades convencionais da Independência do Brasil, pois, afinal de contas, somos realmente independentes? Existe independência se não temos trabalho? Existe independência se a saúde é inacessível, assim como a educação, a cultura, o direito à moradia, alimentação saudável, direito à terra e à cidade? Que independência é essa que se comemora com bandeiras verde-amarelas, tanques e caças, se sabemos que só com muita luta conquistaremos nossa Independência definitiva e verdadeira?

Buscando a conscientização da população e caminhando no processo de construção do Poder Popular, convidamos a tod para participar de mais este Grito dos Excluídos, que este ano será dividido em diversas comunidades, compartilhando os sonhos e objetivos de construção de um país digno, justo socialmente, soberano e em paz com a natureza e o resto do mundo. O grande valor deste ato é o de catalizar e potencializar um processo maior de articulação capaz de contribuir para a transformação. Participe!

PROGRAMAÇÃO:

Planaltina – Concentração às 7:30 em frente ao Campus do IFB
09:00 – Marcha pela Avenida Independência – Troca de sementes entre os companheiros presentes e apresentação do Teatro do Oprimido.
11:00 – Retorno ao ECOA (Espaço de Convivência Agroecológica): Apresentação do Filme “O Veneno está na Mesa”, Almoço coletivo. Contato: Delano – (61) 9149.1962

Brazlândia – Concentração a partir das 07:30 na Praça do Lago
09:00 – Marcha pela cidade com todos os integrantes.
11:00 – Apresentação do Filme “O Veneno está na Mesa”, Cine clube espaço aberto – Mesa de Exposição e debate com a comunidade. Contato: Flávio – (61) 8174.5187

Ceilândia – Concentração às 15 horas no Sol Nascente
15:00 – Apresentação de RAP, Poesia, MPB e outras atividades culturais.
16:30 – Marcha até o Balão da Fundação Bradesco, seguida de ato. Contato: Chico – (61) 9222.1658

[Brasília]: Os últimos Tapuyas

Relato de @leandrojacruz após passar uma semana entre os índios Fulni-ô, ameaçados por grileiros “alto-nível” com Paulo Otávio e Daniel Dantas, em Brasília.
Os últimos Tapuyas

Mal consigo andar quando chego de volta ao território dos fulni-ôs, os últimos tapuyas, próximo à capital federal. Já estou praticamente sendo carregado. Meus joelhos estourados me ensinam que talvez seja melhor andar mais devagar e, com certeza, carregando menos peso. A cada dia tenho mais certeza disso e aprendo mais profundamente que devemos sempre carregar menos, ter menos, pois isso é ter mais. Mas me desfazer da maior parte da bagagem agora já não resolve o fato de que a essa altura minhas juntas parecem bolas de basquete.
Junto à fogueira, Tainã “Wawa” e Choá cantam uma música ancestral em sua língua, o yaathê (do tronco macro-gê), da qual eu não compreendo sequer uma palavra, mas sinto a emoção e entendo. De todas as etnias indígenas do Nordeste, apenas os fulni-ôs preservaram seu idioma mesmo após 500 anos de invasão europeia.

Tapuyas eram os índios do interior (cerrado e
caatinga) do tronco Macro-Gê

Awá Mirim fuma sua chanduca em silêncio. Quando eles fazem isso, estão conversando em pensamento com o Grande Tupã. Talvez esteja pensando na luta, na violência com que os grileiros tentaram invadir a terra na semana anterior. Talvez Awá esteja pensando na esposa e na filha, que junto com as outras mulheres e crianças foram levadas dali para um lugar seguro por prudência, afinal, nos últimos dias a tensão e as ameaças de morte aumentaram. O pajé Santxiê fala para eu me acalmar, deitar na rede e relaxar, tirar um cochilinho e depois entrar na mata. A única outra pessoa branca presente naquele momento além de mim, cujo nome eu não me lembro, me aconselha: “Você devia ir ao médico”. Respondo: “Já vim”.
O velho pajé volta com uns ramos de aroeira na mão e uma pelota de resina de uma árvore que só ele deve saber qual é. Prepara o chá, molha com ele a resina que vira uma gosma cor de âmbar que aplica sobre meus joelhos e me manda beber um pouco da infusão. “Fique perto da fogueira, que o calor ajuda. Amanhã você vai estar bonzinho, bonzinho”, garante Santxie.
E era bom que eu estivesse bom mesmo, pois a essa altura eu já estava sendo contado entre os guerreiros e já tínhamos a informação de que no dia seguinte, segunda-feira, os tratores das empreiteiras Emplavi e Brasal voltariam com escolta da Polícia Militar para terminar o serviço de destruição da mata-santuário, onde empresários como Paulo Otávio e Daniel Dantas pretendem construir o bairro mais caro da história de Brasília.
Das milhares de espécies medicinais que há naquela mata, mais as que o pajé cria no seu herbário, veio a ser a aroeira que me curaria. Me lembro que a última vez que estive em Brasília acabei sendo preso pela Polícia do Senado justamente por plantar uma muda dessa árvore.
Na natureza funciona assim: você rega, dá água a uma planta quando ela é pequena, e as grandes te dão galhos para o fogo que te aquecerá à noite. Você cuida delas que elas cuidam de você.

Domingos Jorge Velho, o “Anhanguera,
foi um dos grandes exterminadores de índios
da região onde hoje fica Brasília

No mundo dos brancos não é assim: é só ingratidão. Penso na saga dos fulni-ôs, que habitavam o cerrado e a catinga. Foram um dos primeiros povos a ser massacrados e expulsos de sua terra. Ficaram anos e anos sem poder retornar à montanha sagrada à qual devem peregrinar todos os anos para a celebração do Ouricuri, em Pernambuco, onde vive a maioria dos fulni-ôs.
Durante a Guerra do Paraguai, aquela vergonhosa guerra que o Brasil lutou pela Inglaterra, os fulni-ôs receberam uma promessa: se enviassem guerreiros para o front receberiam de volta a montanha sagrada. Muitos morreram sem nem mesmo saber os reais motivos da guerra. O Estado não cumpriu sua promessa e só devolveu a montanha do Ouricuri no início do século XX, mas não devolveu terra suficiente para assentar todas as famílias em seu modo de vida tradicional.

Durante a Guerra do Paraguai (1864-1870) índios
Fulni-ô foram levados a Campos de Concentração
e seus melhores guerreiros obrigados a lutar pelo Brasil.
No início do século XX puderam voltar a Pernambuco (foto)

Nos anos 50, mais uma vez, os tapuyas foram enganados. Por conhecerem bem o cerrado, seus perigos e poderes, muitos foram levados ao Planalto Central para trabalhar na construção da nova capital. O avô, o pai e tios de Santxie foram índios candangos, ainda mais explorados e desrespeitados que os demais operários que trabalharam erguendo a cidade faraônica. Como sua religião exige a imersão na mata e o isolamento (seus rituais não podem ser vistos por gente de outros povos), os fulni-ôs se retiravam dos canteiros de obras para uma área junto ao córrego do Bananal, importante para diversas tribos que antes da catastrófica passagem do bandeirante Anhanguera (um dos maiores genocidas de nossa história) pelo Planalto Central habitavam ou transitavam por aquela região.

No dia 16 de agosto de 2011, a polícia do Distrito
Federal, agindo como milícia privada de empreiteiras,
escoltou uma operação ilegal de destruição do
cerrado que, mesmo assim, foi impedida pelos tapuya

Ali, por gerações, nasceram e foram enterradosjunto às árvores sagradas das quais mais de 150 mil serão derrubadas para a construção do “primeiro bairro ecológico de Brasília”. Os pajés fizeram dali também um local de cura e assistência para os seus “parentes” (todos os indígenas que passam por Brasília ao longo dos últimos mais de 50 anos. Santxie vem cuidando de todos os que precisam há muito tempo. Ali, no local que ficou conhecido como Santuário dos Pajés, viveram em paz, cultivando seus usos e costumes… Até o governo Arruda.
(Parte 2)
Acordo com os primeiros raios de sol e com o barulho de folhas caindo e das aves do Cerrado que também levantam cedo. Nem dá para lembrar que estou na capital da República. O território indígena é tão… preservado, natural, terráqueo.
Ainda não se dissipou o frio da noite, mas Santxiê Tapuya, o pajé, já toma seu banho gelado ritual… de canequinha. Há tempos que tomaram o córrego do Bananal (que dá nome à terra em disputa) dos índios. As três nascentes que havia ali perto foram aterradas pelas empreiteiras que já constroem edifícios de luxo a menos de 500 metros da entrada do santuário fulni-ô. Não bastasse isso, a rede de água comprada do sistema dos índios também foi sabotada numa tentativa de minar a resistência da comunidade. Ainda assim eles resistem. Mesmo sendo os únicos guardiões da última região em que o chão não foi impermeabilizado, permitindo a alimentação dos lençóis freáticos que alimentam o Paranoá, que, por sua vez, abastece Brasília. O resultado é que a maior parte do herbário fitoterápico (que garantia remédio a muita gente e recebia visitas de alunos de escolas de Brasília) e a produção de mudas para reflorestamento tiveram de ter sua produção reduzida drasticamente pela falta de água.
“Txorichacá, tá na hora!”, grita o xamã. Txorichacá é meu “nome tribal”, na verdade um apelido que Tainã, Mádjoa e Choá me colocaram por causa do meu cabelo comprido e bagunçado. Significa macambira (Bromelia laciniosa), uma espécie de bromélia suculenta típica da Caatinga, onde surgiram os fulni-ô. “É uma planta boa. Guarda a água, a vida, dentro dela. Ela salva o índio na seca, quando falta vida”, foi o que me explicou Choá para que eu visse o lado bom de ser apelidado de macambira. Tá valendo. Curti.
Vejo guerreiros pintando seus corpos, colocando seus adornos de penas, pegando seus arcos, bordunas e lanças. Pego também minha arma, a câmera de mão que eu uso para fazer vídeos para a internet (é importante hoje sempre filmar a cara e a placa dos carros de todo canalha). Ainda tenho nas costas os padrões tribais traçados com tinta de jenipapo (isso demora dias para sair), mas também faço questão de passar urucum no rosto.
Desde que os conflitos com os grileiros que usam o governo do Distrito Federal começaram, já esfaquearam um índio que defendia o Cerrado e incendiaram a casa da família do irmão do pajé. Três anos depois, o incêndio criminoso (como comprovam os galões de gasolina) ainda não foi investigado pela Polícia, principalmente por que a suspeita recai sobre o alto comando da Terracap, empresa do governo do Distrito Federal que loteia e vende para as empreiteiras.
Talvez o fundo da Caixa de Pandora esteja ali, na terra indígena Bananal (o Santuário dos Pajés) onde empresas como o grupo Opportunity (de Daniel Dantas) e a construtora de Paulo Octávio, ex-vice governador do DF, compram projeções pagando menos de R$ 600 mil. Projeções essas onde serão construídos apartamentos de um quarto custando mais de R$ 2 milhões.
Corro para a entrada principal da terra indígena e só então me dou conta de que voltei a andar. A aroeira do pajé funcionou e vive em mim. A jurema vermelha (Mimosa ophthalmocentra) que ainda corre no meu sangue pode estar ajudando. Talvez tudo isso seja simplesmente a mata me cuidando e usando como parte, como célula de seu corpo, de seu sistema de defesa.
No dia 16 de agosto as empreiteiras vieram com escolta da PM e começaram a derrubar o Cerrado para começar as obras e foram impedidos pelos índios e por colaboradores. A ação foi ilegal já que a demarcação da área indígena não foi concluída pela Funai e a Justiça Federal não deliberou definitivamente sobre o assunto.
Então penso nos vizinhos do oeste, o chamado Acampamento Indígena Revolucionário, liderado por Korubo, um índio peruano que lidera uma aldeia multiétnica há cerca de três anos nos fundos de Bananal. O AIR reúne descendentes de indígenas que perderam suas terras e viviam nas ruas. Tirados das ruas, foram ocupar, em vez de terras da União ou terrenos desocupados, o solo sagrado dos fulni-ô. O AIR não se comporta como célula de um organismo. Talvez faça parte de uma outra luta justa (a luta por moradia e reparação de danos históricos a sobreviventes órfãos de sua cultura indígena em situação urbana sem-teto), mas não tem a ligação histórica e espiritual que os fulni-ôs do santuário, que ainda defendem seu modo de vida tradicional. Estariam eles sendo manipulados para aceitarem acordos financeiros ou outras terras? Em troca disso, os indígenas (a maioria xavantes e guajajaras) criam a falsa impressão de que a comunidade tradicional dos tapuya fulni-ô estivesse dividida. Ninguém sabe explicar de onde vêm os recursos do acampamento de Korubo, nem o álcool. Mas a impressão que eu tenho é que a instalação do “Acampamento Revolucionário” ali é só a continuação da velha tática de usar índios contra índios.

O Acampamento Indígena Revolucionário,
multiétnico, nasceu como um movimento legítimo
por moradia e reparação; depois foi convencido
a se mudar para a terra dos Fulni-ô afim de
tumultuar o processo de demarcação

A Polícia apareceu para fazer pressão. Máquinas como as do crime de 16 de agosto circulavam na entrada da terra indígena a semana inteira. Sempre se sentiam intimidados pela câmera e pelos guerreiros armados com armas artesanais.
Durante uma semana foi assim. Policiais e máquinas. Helicópteros passando sem parar, dando rasantes na reserva, aterrorizando, sobretudo, os bichos (tucanos, emas, seriemas, etc.). “Dessa altura daria para acertar umas flechas”, escuto.
No final da semana uma decisão judicial pôs fim ao assédio (pelo menos por enquanto). O relatório antropológico ficou pronto na semana seguinte, mas a Funai segue prevaricando e ainda não marcou a remarcação. Até lá, todo o lobby dos banqueiros e empreiteiras íntimas de gente poderosa dentro do governo do Distrito Federal tentará reverter as coisas, custe o que custar. O estado de guerra continua

Fonte: OngCea citando http://blogviagemnotempo.blogspot.com/2011/09/os-ultimos-tapuyas.html.