[Brasília]: Dano ambiental no Lago Oeste

Denúncia de desrespeito ao meio ambiente e à comunidade do Lago Oeste causado por empreendimento da Igreja Sara Nossa Terra. Será que o poder público, responsável por zelar pela preservação ambiental, será páreo para o interesse econômico? A sociedade civil procura fazer sua parte.

Segue link com reportagem feita pelo Bom Dia DF:
Moradores do Lago Oeste denunciam ocupação irregular na região – DFTV

Abaixo carta elaborada por diversas associações procurando que o Estado faça seu trabalho:

As Entidades Ambientalistas atuantes no Núcleo Rural Lago Oeste – Ambiental da Cafuringa, Associação dos Amigos das Florestas, Comitê da Bacia Hidrográfica dos Afluentes do Rio Maranhão – e a Asproeste – Associação dos Produtores do Núcleo Rural Lago Oeste, abaixo assinadas, vem, por meio desta, DENUNCIAR o grande dano ambiental promovido por construção ilegal, causador de enorme impacto ao Cerrado e aos moradores da região, que vem ocorrendo na Rua 11, chácara 668 deste Núcleo Rural, local situado na borda da Chapada da Contagem, na APA da Cafuringa, abrigo de diversos animais silvestres e berço de diversas nascentes (figura 01), e solicitar IMEDIATAS providências.

A destruição da área indicada na figura acima teve início no dia 16 de dezembro de 2010, quando uma enorme pá mecânica Hyundai arrancou pedras de afloramentos rochosos e retirou a cobertura vegetal de uma área de aproximadamente 1 (hum) ha para implantar um canteiro de obras. Desde essa data até hoje as obras não pararam, mesmo no período entre o Natal e Ano Novo, a despeito da chuva e do embargo realizado por agentes do ICMBio. As fotos apresentadas em Anexo a este documento mostram as agressões já
promovidas ao local.

A área onde está sendo realizada a obra situa-se em uma área conhecida como “TORRE FORTE – Local de Revisão de Vida da Igreja SARA NOSSA TERRA”, (http://wikimapia. org/9111839/ pt/Torre- Forte), onde já se encontra instalado um grande empreendimento pertencente a essa mesma instituição, com diversos prédios de alojamentos, refeitório, quadras esportivas, piscinas, etc. O empreendimento existente, por si só, já promove grandes impactos ambientais à região do Núcleo Rural Lago Oeste, pois, além de encontrar-se instalado em borda de chapada, com centenas de metros quadrados impermeabilizados onde a vegetação nativa foi totalmente retirada, abriga nos finais de semana e feriados, eventos que atraem grande número de pessoas estranhas à comunidade
local.

Segundo informações dos operários que estão trabalhando na obra (estranhamente iniciada num período coincidente com os recessos de fim de ano e mudança de Governos Federal e Local), a atual construção, que está em curso no local indicado acima, abrigará um salão de eventos e um restaurante com capacidade para 1000 (mil) pessoas, resultando em grande aumento do impacto ambiental já existente, ou seja, o Intenso tráfego de veículos pesados e de passeio na região, provocando compactação do solo em áreas de floramentos de água (em um cálculo inicial, aproximadamente 500 veículos de passeio ou 25 ônibus trafegando por toda a Rua 11, entrada do novo empreendimento) ;

o Produção de grande quantidade de resíduos sólidos e efluentes de esgoto sem tratamento ou destinação adequada;

o Poluição sonora produzida tanto pela explosão de rojões e pela gritaria que os participantes dos eventos promovem, como pela utilização de aparelhos de áudio em alto volume a qualquer hora do dia ou da noite, transmitindo discursos e cantorias, assustando os animais e desrespeitando a Lei do Silêncio tanto para a população humana, como para os animais de hábitos noturno, em área rica em nascentes e em águas subterrâneas, vegetação do Cerrado que ainda abriga grande variedade de animais silvestres.

Além dos danos causados ao meio ambiente com a implantação do canteiro de obras, foram destruídas também todas as barreiras construídas pelos moradores da Rua 11 para a contenção das águas pluviais, desviando-as para fora do leito da rua ou para micro-bacias sem recuperar, no entanto, as crateras produzidas pelo escoamento das águas sobre o leito da rua, tornando os trechos mais íngremes do final da rua praticamente intransitáveis, e produzirá em curto prazo, enormes erosões. Tais ações estão sendo realizadas
sem nenhuma consulta aos moradores da rua, que viram seus esforços de proteção do meio ambiente irem literalmente por água abaixo.

Denúncias a respeito da referida obra já foram feitas:
o À Fiscalização da Secretaria do Patrimônio da União no DF (SPU/DF)
o À Fiscalização do Parque Nacional de Brasília/ Instituto Chico Mendes – ICMBio;
o À Fiscalização do GDF por meio de ligação ao nº 156 – opção 4, onde nos foi informado que seria enviado um comunicado oficial ao IBRAM/DF;
o À Linha Verde do IBAMA, por meio de ligação ao nº 0800 618080, que nos informou que não teria poderes para enviar a Fiscalização imediata mas que a ocorrência ficaria registrada para futuras referências.

Após as denúncias, houve uma visita da Fiscalização (SPU/DF ou ICMBio), que supostamente embargou a obra mas, que em termos práticos, não gerou nenhum efeito, pois a obra continua a todo vapor. Na segunda-feira, dia 10/01/2011, a Polícia Civil esteve no local e mandou parar a obra, mas depois que os policiais se retiraram, a obra continuou como se nada tivesse acontecido. Na terça-feira, 11/01/2011, os operários continuaram trabalhando como se nada tivesse acontecido e a Polícia voltou no final da tarde e
mandou todos se retirarem do local mas, depois que os agentes se retiraram o trabalho de perfuração de um poço profundo continuou até as 21:00 horas, quando terminaram de furar o poço. Hoje, dia 12/01/2011 pela manhã, todos os operários estavam do lado de fora do portão, supostamente trabalhando na rua, mas acreditamos que a obra continua.

Para se ter uma idéia da fragilidade e importância da urgente proteção dessa região, lembramos que o Núcleo Rural Lago Oeste situa-se na APA da Cafuringa, ao lado da DF-001, vizinho ao Parque Nacional de Brasília, fazendo parte de sua Zona de Amortecimento; temos feito constantemente trabalhos de sensibilização ecológica junto a nossa comunidade, principalmente voltados às crianças e jovens da nossa Escola Rural local, abrangendo também os ocupantes das chácaras e seus prestadores de serviço.
Nossa comunidade tem desenvolvido uma consciência ambiental em defesa da conservação do meio ambiente, e desejamos manter nossa região como uma Área Rural e de Preservação Ambiental, cuidando das nossas nascentes, da fauna e da flora locais.

Em 2010 os moradores do Núcleo Rural Lago Oeste, reunidos na Asproeste, contrataram os serviços de empresa especializada para a elaboração do EIA-RIMA da região e o resultado deste trabalho já foi entregue, formalmente, à SPU/DF, proprietária da terra, que o encaminhou ao IBRAM/DF, com o objetivo de estabelecer as normas e condutas que atendam as necessidades reais da comunidade dentro de critérios que garantam a sustentabilidade social, econômica e ambiental da região. Entretanto esses empreendedores que destroem agora o Cerrado ignoram todos os esforços da Comunidade para proteção ao meio ambiente e dão prosseguimento às suas obras e à destruição do cerrado como se fossem os únicos ocupantes do Núcleo Rural Lago Oeste e do Planeta Terra.

Empreendimentos como este que denunciamos agridem não só o meio ambiente, mas também o nosso modo de vida. Não desejamos aqui multidões que venham prejudicar o nosso meio ambiente tão frágil e que não participem das ações comunitárias que, com muito esforço, estamos construindo.

Solicitamos as necessárias e urgentes providências de Vossa Senhoria no sentido de PARALIZAR IMEDIATAMENTE a referida obra e exigir que seja RETIRADO TODO O MATERIAL QUE LÁ SE ENCONTRA e que o proprietário e responsáveis sejam PENALIZADOS PELOS DANOS CAUSADOS AO CERRADO E AO MEIO AMBIENTE e, por extensão, à comunidade local.

Mery-Lucy do Vale e Souza
Elisabeth van den Berg
Presidente
Presidente
Associação dos Amigos das Florestas – AAF
Ambiental da Cafuringa

Wilson Auerswald
Célio Ernesto Brandalise
Presidente
Presidente
Asproeste – Associação dos Produtores do Núcleo Rural Lago Oeste
Comitê da Bacia Hidrográfica dos Afluentes do Rio Maranhão,

Contatos:
Associação dos Amigos das Florestas – AAF
diretoria@amigosdas florestas. org.br
http://www.amigosdasflores tas.org.br
Contatos: (61) 9217-8438
(61) 8149-4820

Ambiental da Cafuringa
asproeste@asproeste .org.br
Contatos: (61) 9994-0237
(61) 9649-8213

Assoc iação dos Produtores do Núcleo Rural Lago Oeste – Asproeste
asproeste@asproeste .org.br
http://www.asproeste. org.br
Contatos: (61) 3478-1335
(61) 3478-1259

Comitê da Bacia Hidrográfica dos Afluentes do Rio Maranhão
cbh.maranhao@ adasa.df. gov.br
Contato: (61) 8117-1117

Fonte: Amigos das Veredas

[Brasília]: “Desafio” do Pedal Noturno

Aí, é o seguinte…
Dia 24/01, segunda próxima, o pessoal do Pedal Noturno está mobilizando os amantes de bicicleta para bater o recorde de 100 pessoas pedalando no grupo pela cidade. É um “desafio” pela conscientização e confraternização em torno das bicicletas, este meio de transporte limpo e saudável.
Quem quiser participar do grupo, é só aparecer no Gibão – Parque da Cidade – às 20h30. Um incentivo para os iniciantes.
Mais informações no sítio do Pedal Noturno.

[Brasília]: Enfim, uma boa notícia do governo…

Coronel da Polícia Militar que agrediu estudante será exonerado pelo GDF

O coronel da Polícia Militar, Cláudio Armond, será exonerado do cargo de diretor da Central Integrada de Atendimento e Despacho (Ciade) no próximos dias. Ele é acusado de agredir um estudante da Universidade de Brasília (UnB) durante uma manifestação do movimento “Fora Arruda”, em janeiro de 2010. A decisão é do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz.

Cláudio está desde o governo anterior nesse cargo da Secretaria de Segurança Pública. Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Comunicação, a exoneração do coronel já estava prevista. Entretanto, em janeiro, a nomeação de Cláudio Armond foi publicada no Diário Oficial do Distrito Federal. De acordo com o órgão, ele foi reconduzido à função temporariamente para evitar a interrupção dos serviços, já que o secretário de Segurança Pública, Daniel Lorenz, não tinha tempo hábil para nomear um novo servidor para preencher a vaga.

A Secretaria de Comunicação ainda esclareceu que o Governo do Distrito Federal (GDF) não havia reconduzido apenas o coronel. Diversas pessoas, em áreas prioritárias, como Educação e Saúde, também tiveram de ser reconduzidas aos seus cargos para não criar um vazio administrativo após a assinatura do decreto que exonerou todos os 18.500 funcionários comissionados do GDF.

Fonte: Correio Braziliense

Veja o filme desse caso vergonhoso aqui.

Bicicleta já!

Precisamos investir urgentemente em ciclovias. Apenas 42 km aqui no DF é brincadeira! E outra, elas devem ser interligadas, devem ser funcionais, porque tem umas que ligam o nada ao lugar nenhum. Segue artigo do Valor Econômico (pra mim, meio contraditório) com citação do trabalho da Rodas da Paz.

“O longo caminho das bicicletas” – Valor Econômico

Daniela Chiaretti

Bicicletas saem de fábrica, no Brasil, sem farol nem lanterna, situação impensável na Alemanha onde quem pedala com luz queimada é multado. Nas grandes cidades brasileiras os que saem em duas rodas para trabalhar são birutas ou suicidas. Na Holanda elas fazem parte da identidade nacional como os girassóis de Van Gogh e é tudo regrado: bicicletas têm placa e ciclistas infratores são punidos como qualquer motorista. Em São Paulo vive-se a cena ao revés: a culpa é de quem pedala. O médico Paulo Saldiva, que há 38 anos sai de casa de bicicleta para ir até a Faculdade de Medicina onde trabalha, escutou outro dia de uma motorista que por muito pouco não o atropelou: “O senhor não acha que está muito velho para andar de bicicleta?”.

Seria engraçado não fosse trágico. Na maior metrópole brasileira, a poluição mata 4 mil pessoas por ano por problemas cardiovasculares e respiratórios e o que sai dos escapamentos é responsável por 70% dessa cifra lúgubre. Mas aqui o carro é o senhor do castelo, ciclovias são praticamente uma ilusão e os ciclistas, hostilizados.

“O problema de vocês é que querem andar na rua”, escutou Saldiva de um taxista, enquanto subia a Avenida Consolação. Depois, na Avenida Doutor Arnaldo, a rua do cemitério, ele opta pela calçada “para não fazer parte do cemitério”. O médico, coordenador do Laboratório de Poluição Atmosférica da Faculdade de Medicina da USP, tem uma coleção de histórias de sua teimosia em circular de bicicleta pela cidade. É uma experiência exemplar em vários sentidos.

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