[Brasília]: Alunos de escolas públicas gordinhos e nada saudáveis

Alunos gordinhos e nada saudáveis, diz pesquisa da Universidade de Brasília Pesquisa na Universidade de Brasília com 860 alunos dos 8º e 9º anos de 10 escolas públicas do DF revela que 89% deles não haviam se alimentado corretamente na véspera. Cerca de 17% dos entrevistados estavam acima do peso

Sobrepeso e baixo consumo de frutas e hortaliças entre estudantes. Foi o que mostraram os dados preliminares de um estudo realizado no ano passado com 860 estudantes de 10 unidades de ensino do Plano Piloto e da Vila Planalto, vinculadas à rede pública do Distrito Federal. Instrumento de uma tese de doutorado, a pesquisa assinada pela professora adjunta do Departamento de Nutrição da Universidade de Brasília (UnB) Natacha Toral avaliou o consumo de adolescentes dos 8º e 9º anos (antigas 7ª e 8ª séries), com base no dia anterior à sondagem.

“No momento em que a gente chegava na escola, perguntava como tinha sido a alimentação deles um dia antes e eles nos contavam. Ainda estamos fazendo novas análises, mas conseguimos verificar até agora que 89% desses estudantes não alcançaram o mínimo de cinco porções diárias de frutas e hortaliças, como recomenda a Organização Mundial de Saúde (OMS)”, explica Natacha. “Ou seja, isso mostra que esses adolescentes têm uma inadequação muito grande na alimentação, ou melhor, que ela está muito desequilibrada”, avalia.

Cerca de 17% dos adolescentes entrevistados apresentavam excesso de peso, um problema que a nutricionista analisa como grave, levando em conta o índice aceitável de 10%, também da OMS. Segundo ela, os jovens estão em fase de formação do hábito alimentar e, provavelmente, manterão o mesmo padrão de consumo na vida adulta. “Isso implicaria um risco maior do desenvolvimento de algumas doenças crônicas não degenerativas, como alguns tipos de câncer e outras doenças que estão aparecendo cada vez mais cedo entre adolescentes. É o caso de obesidade, hipertensão”, elenca.


Dados adicionais serão compilados no intuito de caracterizar como se dá a alimentação dos alunos analisados. Entretanto, com base em outros estudos da área, é esperado que eles demonstrem um alto consumo de gorduras, de açúcares e de sódio, o que implicaria em outros riscos para a saúde. Uma estratégia da pesquisa foi testar a intervenção nutricional. Para tanto, foram distribuídos, mensalmente, entre os adolescentes, materiais educativos, principalmente, revistas sobre alimentação saudável e informativos.

“Em um primeiro momento, eles eram avaliados sem a intervenção e, após a implantação, eles eram reavaliados. O problema é que o material não teve impacto para melhorar o consumo de frutas e hortaliças. Pudemos entender então que o comportamento alimentar do adolescente é algo muito complexo e são necessárias várias outras estratégias para melhorar a alimentação deles”, esclarece a professora Natacha.

Universo
Aproximadamente 650 instituições de ensino da rede pública e cerca de 445 mil alunos da educação básica do Distrito Federal são atendidas com merenda escolar. Antes da implementação do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), instituído em 2009, a merenda era oferecida apenas às crianças do Ensino Fundamental.

“Temos a legislação que regulamenta a execução do programa, que é determinada pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FMDE). Ele diz quantas porções de fruta devemos servir, qual é o mínimo de vegetais, qual a necessidade nutricional dos dias letivos”, explica a gerente de Alimentação Escolar e coordenadora do Programa de Alimentação Escolar da Secretaria de Educação do DF (SE/DF), Kelen Cristiane Pedrollo. “Os cardápios são baseados nesse instrumento. Ele diz que temos que atender 20% das necessidades nutricionais diárias. Isso dá algo em torno de 350 calorias”, completa.

Na Escola Classe 415 Norte, os lanches salgados são preferência entre os 380 alunos, como pontua a vice-diretora da entidade, Kenia Soares. “Eles comem arroz com frango, baião de dois. Já as coisas doces são menos aceitas, como canjica, arroz-doce”, informa. Ela acredita que, para a melhoria do cardápio, seja necessária uma análise das particularidades do público de cada região administrativa. A unidade atende meninos e meninas de 4 a 10 anos (1º período ao 5º ano). A Educação Integral recebe três refeições ao dia, enquanto os demais turnos, duas.

Realidade diferente
A opinião da gerente de Alimentação Escolar da SE/DF é parecida com a de Kenia. Kelen Cristiane avalia que a legislação é nivelada com base no caso mais grave. “Eu acredito que a porcentagem a ser cumprida com relação às necessidades nutricionais seja para aquela realidade em que o aluno só possui determinada merenda para o dia inteiro. Não digo que essa realidade não exista aqui no DF, afinal, temos bolsões de pobreza”, assinala. “Mas, dependendo do tipo de alimentação dentro de casa, acho que há uma sobrecarga de nutrientes. Pode ser por isso que a questão da obesidade esteja sendo favorecida”, sugere.

Kelen informa, porém, que apesar de esclarecimentos e informações levadas aos aluno, é difícil fazer com que ele opte pelo saudável em detrimento dos alimentos industrializados e/ou com alto teor de gordura. “Começamos a questionar se, na escola, o fato de o aluno ter a alimentação das cantinas comerciais não atrapalharia o consumo da merenda. Será que não conseguiríamos trabalhar melhor se esses estabelecimentos fossem retirados das escolas?”, questiona.

Educação básica
Implantado em 1955, O PNAE garante, por meio da transferência de recursos financeiros, a alimentação escolar dos alunos de toda a educação básica (educação infantil, ensino fundamental, ensino médio e educação de jovens e adultos) matriculados em escolas públicas e filantrópicas. Seu objetivo é atender às necessidades nutricionais dos estudantes durante sua permanência em sala de aula, contribuindo para o crescimento, o desenvolvimento, a aprendizagem e o rendimento escolar dos estudantes, bem como promover a formação de hábitos alimentares saudáveis.

Fonte: Correio Braziliense

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