[Brasília]: Audiência Pública sobre a APA Orla do Descoberto

AUDIÊNCIA PÚBLICA – sobre a situação da Área de Proteção Ambiental da Orla do Descoberto.
Início:
09/11/2010 10:00
Local:
Plenário

Fonte: CLDF

Informações sobre a APA aqui.

Fralda de pano sim, Papai!


Uma das primeiras providências dos pais, assim que sabem que chegará um filho, é adquirir as fraldas do(a) pequeno(a). Nesse momento, é importante uma reflexão sobre que tipo de fralda usar: descartável ou de pano. E foi isso que fizemos, minha esposa e eu, quando tivemos a maravilhosa notícia da espera do nosso primeiro filho.

Buscando na Internet (principalmente no Blog Fraldas de Pano), conseguimos descobrir algumas informações que a modernidade e a invenção das fraldas descartáveis trouxeram à humanidade e ao planeta. Depois, comparamos com a tecnologia usada por nossas sábias mães/avós, as fraldas de pano.

Procuro enumerá-las a seguir:
1) Apenas 27% das crianças de 0-30 meses usam fraldas descartáveis, mesmo assim são descartadas:
– 204 fraldas por segundo
– 12.240 fraldas por minuto
– 734.400 fraldas por hora
– 17.625.600 fraldas por dia
2) Durante a fase de fralda, o bebê usa 5.500 fraldas descartáveis em média. No caso das de pano, são apenas 65, com a vantagem de poderem ser reutilizadas por outros filhos ou bebês.
3) A fralda descartável usa produtos químicos para manter o bebê “seco” e, por isso, causa mais assaduras, irritação, dermatites, além do fato de seu cheiro, quando misturado com as fezes, ser extremamente desagradável.
4) O custo financeiro de aquisição das fraldas descartáveis é estimado em R$ 5.000,00. No caso das de pano, é bem inferior (falarei mais tarde o quanto gastei.)
5) O custo ambiental das fraldas descartáveis é incalculável. Demoram 450 anos para reintegrarem-se ao meio ambiente, são o 3º item mais frequente nos lixões, e correspondem a 2% do lixo doméstico.

Por tudo isso, não pensamos muito. E também não precisava. Escolhemos as fraldas de pano por serem, de longe, de uso mais sustentável.

Compramos ao todo 39 fraldas, do tamanho RN ao G, e de diversos tipos. Ainda, 32 absorventes, também de vários tipos, conforme a capacidade de absorção. O valor disso tudo, que hoje está nos atendendo satisfatoriamente, foi algo entre R$ 900,00 e R$ 1.000,00. É ou não mais econômico?

Agora um pouco da rotina diária da troca de fralda do nosso filho:
– Ele usa, por dia, em média 5 fraldas de pano 100% algodão (com exceção das tipo Windy);
– Cada fralda, dependendo do tipo (com maior ou menor capacidade de absorção), leva 1 ou 2 absorventes também de pano, que podem ser os vendidos nas lojas especializadas ou aquelas fraldas usadas por nossas mães e avós;
– Usamos algumas fraldas tipo calça plástica (Windy), mas ainda laváveis, pois são mais fáceis de secar. Contudo, os absorventes ainda são de pano, e eles que ficam em contato com a pele. Preferimos usar essas à noite, pois mantêm-se secas por mais tempo;
– Para aumentar a capacidade de absorção, dobramos um absorvente uma ou duas vezes – mantendo-o sobre a área mais provável do xixi – ou usamos 2 absorventes;
– Retiramos o excesso de cocô com o chuveirinho (pouco água) ou com uma escova velha (pode ser de dentes);
– Separamo-nas em fraldas de cocô e de xixi, sempre retirando os absorventes de dentro delas, deixando-as de molho por 1 ou 2 dias em baldes separados;
– No balde das de cocô, usamos um pouco de bicarbonato de sódio na água para diminuir as manchas;
– Lavamo as fraldas e os absorventes, juntamente com as roupas dele, em média a cada 2 dias na máquina de lavar. Sempre que posso, reaproveito a água da lavagem para o vaso sanitário;
– A água dos dois baldes de molho – em média 7 litros – não é reaproveitada (mas acho que dá sim);
– Usamos sabão em pó neutro para não causar alergias na pele dele;
– A secagem leva 1 ou 2 dias, a depender do tempo (em Brasília é mais fácil porque é majoritariamente seco);
– Ele raramente tem assadura (limpamo-no com água ou algodão molhado), somente quando não trocamos a fralda no tempo certo (a cada 3/4 horas);
– E, o mais importante para o meio ambiente, não jogo nenhuma fralda no lixo para o planeta ter que resolver MEU problema!

Abaixo às fraldas descartáveis!

Use fraldas de pano!

Adote essa ideia!

Seus filhos e o planeta agradecem!

Qualquer dúvida, podem perguntar e para mais informações acessem Babyslings , Blog Fraldas de Pano e Fralda Bonita.

Discutir a Justiça em clima de eleições presidenciais?

Espero estar vivo para ver pelo menos um item, dos dez listados, ser aplicado no nosso Judiciário. Este é o Poder mais elitista e menos transparente dos três e precisa seriamente de entrar na realidade. Devemos repudiar pensamentos e ações como do Presidente do STF ao afirmar que a “Justiça não deve ser contaminada pela pressão popular.”.

Tempo de eleições presidenciais é tempo de debate. A convocação do povo às urnas fomenta o debate. Em clima de debate, tudo é debatido, mesmo aqueles temas que não são da alçada do presidente resolver. Daí que nos propomos a discutir, neste artigo, medidas destinadas a melhorar e democratizar a Justiça.

Frei Leonardo Boff diz que os momentos de crise são a grande oportunidade para os avanços e a superação.

Tanto pode exercer este efeito positivo, mencionado por Leonardo Boff, a crise que castiga a pessoa, cada um de nós, em particular; ou a crise que alcança instituições, fases históricas ou mesmo países.

Esta reflexão inaugural conduz o espírito a uma reflexão posterior e consequente: um momento de crise do Poder Judiciário pode ser o mais acertado e próprio para refletir sobre caminhos que permitam uma melhoria da Justiça.

Proponho dez medidas para aprimorar a Justiça, como passo a expor. São medidas, a meu ver, perfeitamente exequíveis, desde que haja boa vontade.

1) Arejar os tribunais – Nada de sessões secretas, exceto para questões que envolvam a privacidade das pessoas (casos de família e outros). Nada de exigência de roupas e calçados para ingressar nos recintos judiciais. Nada de vedar o acesso da imprensa aos julgamentos. Que todas as decisões e votos sejam abertos e motivados.

2) Dar rapidez aos julgamentos – É possível fazer com que a Justiça seja mais rápida. Que as partes em conflito aleguem e façam provas, como é certo, mas que se alterem as leis de modo que não se fraude a prestação jurisdicional através de recursos abusivos. Que se acabe com o recurso obrigatório nas decisões contra o Poder Público, pois isso é admitir que todos os procuradores de Estado sejam desonestos. Mesmo que a decisão seja injusta e incorreta deixariam de recorrer, por corrupção. O duplo grau de jurisdição, nessas hipóteses, contribui para sobrecarregar as pautas dos tribunais. Que se mudem também práticas que não estão nas leis, mas estão nos hábitos e que entravam a Justiça, transformando-a numa traquitana, como disse Monteiro Lobato.

3) Humanizar a Justiça – A Justiça não lida com objetos, mas com pessoas, dramas humanos, dores. O contato das partes com o juiz é indispensável, principalmente nos casos das pessoas mais humildes que ficam aterrorizadas com a engrenagem da Justiça. Kafka desenhou com genialidade o sufocamento do ser humano pelas artimanhas do processo judicial. O apelo de ser escutado é um atributo inerente à condição humana. Tratar as partes com autoritarismo ou descortesia é uma brutalidade inaceitável.

4) Praticar a humildade – O que faz a Justiça ser respeitada não são as pompas, as reverências, as excelências, as togas, mas a retidão dos julgamentos. Na última morada, ser enterrado de toga não faz a mínima diferença. Neste momento final, a mais alta condecoração será a lágrima da viúva agradecendo ao magistrado, em silêncio, a Justiça que lhe foi feita. Por que não se muda a designação dos chamados Poderes para serviços? Serviço Executivo, Serviço Legislativo e Serviço Judiciário. São mesmo serviços, devem ser entendidos como serviços a que o povo tem direito.

5) Democratizar a Justiça – Começar pela democratização da eleição dos presidentes dos tribunais. Todos os magistrados, mesmo os de primeiro grau, devem poder votar. Um magistrado de primeiro grau pode ser eleito para dirigir a corte, regressando a seu lugar ao completar o mandato. Um presidente de tribunal não é apenas aquela pessoa que preside as sessões, mas é alguém que exerce a presidência de um órgão do Poder.

6) Alterar o sistema de vitaliciedade – O magistrado não se tornaria vitalício depois de dois anos de exercício, mas através de três etapas: dois anos, cinco anos e sete anos. A cada etapa haveria a apreciação de sua conduta, com a participação de representantes da sociedade civil porque não seria apenas o julgamento técnico (como nos concursos de ingresso), mas o julgamento ético (exame amplo do procedimento do juiz).

7) Combater o familismo – Nada de penca de parentes na Justiça. Concursos honestos para ingresso na magistratura e também para os cargos administrativos. Neste ponto a Constituição de 1988 regrediu em comparação à Constituição de 1946. A Constituição de 1946 proibia que parentes tivessem assento num mesmo tribunal. A Constituição de 1988 proíbe parentes apenas na mesma turma. Se o tribunal tiver cinco turmas será possível que cinco parentes façam parte de um mesmo tribunal, desde que um parente em cada turma.

8) Aumentar a idade mínima para ser juiz – O cargo exige experiência de vida, não demanda apenas conhecimentos técnicos.

9) Fazer da Justiça uma instituição impoluta – A corrupção é sempre inaceitável. Dentro da Justiça, brada aos céus.

10) Colocar os juízes perto dos litigantes – Se o habitante da periferia tem de subir escadas de mármore para alcançar suntuosas salas, em palácios ainda mais suntuosos, a fim de pleitear e discutir direitos, essa difícil caminhada leva a uma ruptura do referencial de espaço, que é referencial de cultura, referencial de existência.

João Baptista Herkenhoff é Professor pesquisador da Faculdade Estácio de Sá de Vila Velha (ES), palestrante e escritor. Autor de Mulheres no banco dos réus – o universo feminino sob o olhar de um juiz. Editora Forense, Rio, 2008.
E-mail: jbherkenhoff@uol.com.br
Homepage: http://www.jbherkenhoff.com.br

Fonte: Correio Cidadania

Dilma, Serra e o meio ambiente

Muitas críticas têm sido feitas à ausência de debates nesta campanha sobre temas realmente relevantes para o país. Para quem considera a questão ambiental a mais importante entre todas as questões nacionais, o desconforto é ainda maior: o assunto tem sido praticamente ignorado pelos candidatos à presidência. Apesar da presença de Marina Silva na disputa, o tema só tem sido tratado de forma superficial e os graves problemas ambientais sob os quais estamos imersos não são abordados com seriedade. Principalmente nesse segundo turno, Dilma e Serra vão além: disputam quem é o maior defensor do aprofundamento do modelo de desenvolvimento predatório vigente.

Ambos se dizem ambientalistas, mas não explicam como pretendem resolver o grande dilema atual, que opõe crescimento econômico e preservação do meio ambiente. Em outras palavras, nenhum dos candidatos admite ser contra a preservação da natureza, mas ao mesmo tempo louvam e incentivam a aventura irresponsável do Pré-Sal, onde gastaremos trilhões na arriscada empreitada de tentar tirar petróleo de uma região do mar profundo nunca antes explorada, onde as chances de acidentes como o ocorrido no Golfo do México são muito grandes. Vale lembrar a contradição de que Lula e Dilma, antes da descoberta do pré-sal, defendiam pelo mundo as maravilhas do etanol e diziam que deveríamos abrir mão do petróleo “em nome da defesa do meio ambiente” e para “reduzir a emissão de CO2”. De uma hora para a outra eles se esqueceram de toda essa conversa e Lula diz que o petróleo do Pré-Sal é uma “dádiva de Deus”. Outra questão fundamental e ignorada é a necessidade urgente de mudança da matriz energética brasileira para fontes realmente renováveis, como a eólica e a solar.

Apesar da ligação do PT com os movimentos ambientalistas nos anos 1980 e 1990, uma vez na presidência, a obstinação de Lula com o crescimento do PIB sempre esmagou qualquer apelo ambiental que ousou cruzar seu caminho. Ele sempre exigiu taxas de crescimento chinesas, não importando como nem a que custo. Entre todos os expoentes do governo federal, talvez Dilma seja a pessoa que melhor representa este tipo de visão. A forma como o governo passou e continua passando por cima da lei para impor a construção de usinas hidrelétricas na Amazônia, como a de Belo Monte – com o principal objetivo de criar a infra-estrutura necessária para alimentar a devastadora atividade mineradora na região –, é apenas uma entre as muitas formas de ilustrar essa postura radical.

Quanto a Serra, sua trajetória, o histórico de seu partido no poder e seu discurso atual deixam claro seu alinhamento ou até mesmo um aprofundamento deste tipo de visão de Dilma e Lula. Apesar de algumas medidas ambientais periféricas porém interessantes quando no governo de São Paulo, pesa também contra o tucano a desastrosa gestão das Unidades de Conservação paulistas e o “fator Xico Graziano”, secretário do Meio Ambiente de Serra quando governador e o nome mais provável para o ministério, que é um defensor obstinado e declarado dos interesses do agronegócio.

Apesar de meu desencanto, declaro aqui meu voto em Dilma no segundo turno, principalmente por acreditar que ela dará continuidade a um modelo de gestão que está alimentando mais e melhor os brasileiros famintos e tirando milhões da miséria. Mas é preciso ir muito além de simplesmente aumentar o poder aquisitivo do povo. É necessária a aplicação de estratégias paralelas de educação para o consumo e restrições severas à produção e venda dos produtos que mais agridem a natureza.

Quem busca informação sabe que esse incentivo ao consumo desenfreado é insustentável sob qualquer análise. Ter como objetivo que cada brasileiro consiga atingir o padrão de consumo da classe média gastadora é uma caminhada rumo ao precipício se a meta de elevar o padrão de consumo da multidão de pobres não vier acompanhada de um profundo questionamento sobre como se dará a sustentação deste crescimento.

É preciso de um lado pensar o quê será produzido e vendido. Isso inclui a análise dos recursos naturais necessários (se são nocivos, tóxicos, considerar as reservas ainda disponíveis – uma vez que todos são finitos) e o tipo de processo necessário, uma vez que alguns são muito mais agressivos que outros (consumo de água e energia, poluição das águas). Na outra ponta, é necessário pensar, antes de definir que produtos terão sua produção e venda incentivada, o tempo de vida útil e o que vai acontecer quando forem descartados: se poderão ser reciclados, se têm elementos tóxicos em sua composição etc.

Resumindo: antes de incentivar o consumo pura e simplesmente, é primordial pensar de que forma exatamente esse crescimento do consumo se dará, definindo que bens serão prioritariamente consumidos e o que acontecerá com eles quando forem para o lixo.

Não há argumentos que justifiquem esse incentivo cego ao consumo. Não podemos aceitar que a melhora das condições de vida da população excluída represente o esgotamento e a contaminação ainda maior dos recursos naturais dos quais todos nós, pobres, remediados e ricos, dependemos para nossa sobrevivência.

Se esse esgotamento se confirmar, terá sido perdido todo o eventual bem conquistado por um governo de origem popular – que tem sido inovador em diversos aspectos, mas não no ambiental. O que ficará para a história neste caso não terá sido a mão estendida para os excluídos, mas sim a oportunidade perdida de mudar a tempo o rumo, antes do desastre.

Se faltar essa sensibilidade, os governantes do início do milênio serão lembrados nos livros de história do futuro por terem sido incapazes de fazer a leitura correta dos desafios que a época em que viveram exigiam deles. Especialmente os políticos que terão governado este cantinho (ainda) verde do planeta.

Danilo Pretti Di Giorgi é jornalista.

Fonte: Correio Cidadania

Plebiscito Popular sobre o Limite da Propriedade


O Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo entregou dia 19/10 à sociedade brasileira o resultado do Plebiscito Popular sobre o Limite da Propriedade, realizado de 1º a 12 de setembro

Participaram deste plebiscito 519.623 pessoas, em 23 estados brasileiros e no Distrito Federal. Só não participaram do mesmo, Santa Catarina, Amapá e Acre que optaram por fazer o abaixo-assinado, somente. Eram admitidas à votação pessoas acima de 16 anos, portanto em condições de votar.

Duas foram as perguntas formuladas às quais se devia responder sim ou não.

A primeira: Você concorda que as grandes propriedades de terra no Brasil , devem ter um limite máximo de tamanho?

A segunda: Você concorda que o limite das grandes propriedades de terra no Brasil possibilita aumentar a produção de alimentos saudáveis e melhorar as condições de vida no campo e na cidade?

95,52% responderam afirmativamente à primeira pergunta, 3,52, negativamente, 0,63% foram votos em branco e 0,34%, votos nulos.

Em relação à segunda pergunta os que responderam sim foram 94,39%, 4,27% responderam não, 0,89 % foram votos em branco e 0,45%, votos nulos.

Considerando as dificuldades enfrentadas tanto na produção, quanto na distribuição de um mínimo de material, pela falta de recursos e de pessoal disponível; considerando que o Fórum e outras entidades envolvidas não tiveram acesso a qualquer veículo de comunicação de massas; considerando o momento, quando as atenções estão voltadas e os militantes envolvidos nas campanhas eleitorais, pode-se saudar o resultado como muito positivo.

Mais de meio milhão de pessoas se posicionou afirmativamente em relação à necessidade e à conveniência de se colocar um limite à propriedade da terra. Este é um indicador expressivo de que a sociedade brasileira vê a proposta como adequada. É uma amostragem do que pensa boa parcela do povo brasileiro. As pesquisas de opinião ouvem duas ou três mil pessoas e seus dados são apresentados como a expressão da vontade da sociedade!

Mas o que se pode ressaltar como o mais positivo, e que os números não expressam, é todo o trabalho de conscientização que se realizou em torno do plebiscito. Foi desenvolvida uma pedagogia que incluiu reflexão, debates, organização de comitês, divulgação e outros instrumentos sobre um tema considerado tabu, como é o da propriedade privada.

Em quase todos os estados foram realizados debates em universidades, escolas, igrejas e outros espaços em que se pôde colocar a realidade agrária em toda sua crueza. Para muitos, cujo contato com o campo é praticamente nulo, estes debates abriram um horizonte novo no conhecimento da realidade brasileira. Também se pode saudar como fruto precioso deste processo, os inúmeros trabalhos e textos produzidos pela academia sobre o arcabouço jurídico que se formou em torno à propriedade da terra e sobre aspectos históricos, sociológicos e geográficos da concentração fundiária no Brasil. Não fosse a proposta do plebiscito esta reflexão não teria vindo à tona com a força com que veio.

Este ensaio está também a indicar que um Plebiscito Oficial deveria ser proposto para que todos os cidadãos e cidadãs pudessem se manifestar diante de um tema de tamanha importância para o resgate da cidadania de milhões de brasileiros e brasileiras que lutam, muitas vezes sem sucesso, buscando um pedaço de chão onde viver e de onde retirar o sustento. O Fórum vai continuar firme na luta para que seja colocado um limite à propriedade da terra.

A população brasileira também foi convidada a participar de um abaixo-assinado que continua circulando em todo país até o final deste ano. O objetivo desta coleta de assinaturas é entrar com um Projeto de Emenda Constitucional (PEC) no Congresso Nacional para que seja inserido um novo inciso no artigo 186 da Constituição Federal que se refere ao cumprimento da função social da propriedade rural.

Já o plebiscito popular, além de consultar a população sobre a necessidade de se estabelecer um limite máximo à propriedade da terra, teve a tarefa de ser, fundamentalmente, um importante processo pedagógico de formação e conscientização do povo brasileiro sobre a realidade agrária do nosso país e de debater sobre qual projeto defendemos para o povo brasileiro. Além disso, o Plebiscito Popular pelo Limite da Propriedade de Terra veio como um instrumento para pautar a sociedade brasileira sobre a importância e a urgência de se realizar uma Reforma Agrária justa em nosso país.

A proposta da Campanha Nacional pelo Limite da Propriedade de Terra visa pressionar o Congresso Nacional para que seja incluído na Constituição Federal um novo inciso que limite o tamanho da terra em até 35 módulos fiscais – medida sugerida pela campanha do Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo (FNRA).

Além das 54 entidades que compõem o Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo, também promovem o Plebiscito Popular pelo Limite da Propriedade da Terra, a Assembléia Popular (AP) e o Grito dos Excluídos. O ato ainda conta com o apoio oficial das Pastorais Sociais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic).

Fonte: Assessoria de Comunicação FNRA, citado em EcoDebate

[Brasília]: II Seminário de Agroecologia do DF

Agroecologia, conservando a biodiversidade para o desenvolvimento sustentável

PROGRAMAÇÃO
Dia 9 de novembro
8 h – Inscrições
Apresentação cultural
Coral Vozes do Cerrado (alunos do Instituto Federal de Brasília)
8 h 30 – Abertura solene
9 h 30 – Mesa Redonda: Sistemas de produção sustentáveis com enfoque agroecológico
Joe Carlo Viana Valle – Fazenda Malunga
João Paulo Guimarães Soares – Embrapa Cerrados
Sérgio Sauer – Faculdade da UnB de Planaltina
11h00 – 12h30 -Debate
Moderador: Roberto Guimarães Carneiro – Emater-DF
12h30 -13h30
Almoço
Abertura da FEIRA AGROECOLÓGICA e apresentação cultural do Grupo de Catira Mão Divina (alunos do Instituo Federal de Brasília)
13h30 – 15 h – Oficinas
OFICINAS
1. Produção de sementes agroecológicas
Patrícia Bustamante (Embrapa Recusos Genéticos e Biotecnologia)
Eitel Maica (Bionatur)
2. Manejo Ecológico de Pragas
Edson Sujii e Carmen Pires (Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia)
3. O uso de agrotóxicos e seu risco para o meio ambiente
José Voltaire Peixoto (Emater-DF)
Henrique Chaves (UnB)
4. Experiências em educação agroecológica
Roberto Benfica (EMATER-DF),
Vânia Pimentel (IFB),
Vanusa Freitas (Escola da Natureza)
5. Funcionamento de agroecossistemas
Flávio Murilo Pereira da Costa (FUP)
6. Homeopatia veterinária
Andréa Alves Amaral (Embrapa semi-árido)
7. Princípios do manejo da adubação na agricultura orgânica e a forma de obtenção dos principais fertilizantes orgânicos
Ronessa Bartolomeu de Souza (Embrapa Hortaliças)
Roberta Sara de S. Matos (Emater-DF)
8. Redesenho da propriedade e a produção orgânica de hortaliças
Francisco Vilela Resende (Embrapa Hortaliças)
Thiago Tadeu Campos (Fazenda Malunga)
9. Agroecologia e Sistemas Agroflorestais biodiversos
Juã Pereira (IPOEMA)
Márcio Armando (Embrapa Transferência de Tecnologia)
15 h-15h20
Café Cultural
Animadores culturais Instituto de Artes (UnB)
15h20 – 17 h
Continuidade das oficinas
17 h – FEIRA DE TROCA DE SEMENTES

Dia 10 de novembro
8 h 30 – Palestra: Terra Sadia e saúde do homem: conexões entre a saúde do solo e o terreno biológico do homem
Alberto Peribanez Gonzalez (Medicina Integrativa )
9 h – Mesa Redonda: Desafios e estratégias locais para uma comercialização justa
Silvio Porto (CONAB),
Renato Lima Dias (Emater–DF),
Luiz Henrique Gomes de Moura (FNDE)
10h30
Café Cultural (Talentos da Emater – DF)
10h50- 12h30
Debate: Moderador Rogério Dias
12h30 -13h30
Almoço
13h30 – 15 h – Oficinas
OFICINAS
1. Panorama da comercialização de produtos da agricultura familiar no Distrito Federal
Renato Lima Dias (Emater-DF)
2. Economia Solidária: Locais e opções de Comercialização
Luiz Roberto Carraza ( Central do Cerrado)
Orélio Araújo da Silva ( Rede de Comercialização Solidária de Agricutores Familiares e Extrativistas do Cerrado)
3. Mecanismos de Garantia da Conformidade Orgânica (Certificação, Organismos Participativos e Controle Social)
Rogério Dias (MAPA)
4. Experiências locais de comercialização:
Guaracy Telles (Associação de Agricultura Ecológica)
Massae Watanabe (Cooperativa Mercado Orgânico)
5. Alimentação viva
Alberto Peribanez Gonzalez
6. Processamento de colheita e pós-colheita para a produção do alimento sadio
Milza Moreira Lana (Embrapa Hortaliças)
Milena Lima de Oliveira (Emater)
7. Manejo Racional de pastagens
Cícero Teofilo Berton
8. Pagamento de serviços ambientais
Sumar Magalhães Ganen (Emater-DF)
15 h-15h20
Café Cultural com apresentação da Escola da Natureza
16h20 -17h
Continuidade das oficinas

Dia 11 de novembro
8 h
Apresentação dos resultados dos grupos e Plenária Final
10h30 – 10h50
Café cultural
10h50 – 12h30
Plenária Final e solenidade de encerramento
12h30
Almoço

FEIRA AGROECOLÓGICA

Exposição institucional de Entidades ligadas à
Agroecologia no Distrito Federal e exposição de
produtos agroecológicos.

VISITAS TÉCNICAS
Fazenda Malunga
Sitio Vida Verde
Sitio Semente

COORDENAÇÃO GERAL
Emater-DF e Embrapa Hortaliças

REALIZAÇÃO
Faculdade UnB-Planaltina, Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Embrapa Cerrados, Instituto Federal de Brasília (Planaltina), Fundação Rural, Ipoema, Associação de Agricultura Ecológica, Mercado Orgânico, CDTORG, SEBRAE-DF, Sindiorgânicos, Escola da Natureza, Fazenda Malunga, Secretaria de Agricultura do DF, Instituto Brasília Ambientaal, Governo do Distrito Federal, Superintendência Federal de Agricultura, Associação Brasileira de Agroecologia, Ministério da Ciência e Tecnologia, Ministério do Desenvolvimento Agrário, Ministério da Agricultura, Governo Federal.

Informações: agroecologia@emater.df.gov.br
Telefones: 3340-3093 e 3340-3098

Fonte: Emater

Especialistas alertam que enfermidades crônicas aumentam em todo o mundo


Vistas pelas autoridades como como um desafio global do século 21, enfermidades como diabetes, doenças circulatórias e câncer, deixaram de ser um problema específico das nações industrializadas.

Enfermidades crônicas como hipertensão e o diabetes desencadeiam doenças infecciosas e ultrapassam a aids, a malária ou a tuberculose no ranking das causas de morte atualmente. Hoje, 60% de todos os óbitos no mundo se dão em consequência de doenças não infecciosas. E a tendência é crescente.

O pesquisador Peter Piot, diretor da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, explica a razão disso: “Hoje morre muito mais gente em função de doenças circulatórias, diabetes ou obesidade do que de doenças infecciosas. A exceção é a África Subsaariana, onde a aids continua sendo a principal causa de morte. Essa tendência se dá em função da mudança de comportamento e de estilo de vida em todo o mundo e é especialmente resultante de maus hábitos alimentares: sal em excesso, muito açúcar, muita gordura e o fato de que a comida mais barata nem sempre é a mais saudável. Acresce-se a isso a constatação de que hoje não nos movimentamos mais da forma como fazíamos antigamente. Todos esses fatores, que são prejudiciais à saúde das pessoas na Europa, se constatam também em outras regiões do mundo”, descreve Piot.

Por muito tempo, enfermidades como pressão alta e obesidade eram consideradas doenças “da civilização”, majoritariamente presentes nos países desenvolvidos. Essa situação mudou em função da globalização e da urbanização de outras regiões do planeta, inclusive da África, por exemplo, onde produtos industrializados estão substituindo cada vez mais o consumo de alimentos tradicionais.

Ciclo vicioso

Alimentação saudável: suma importânciaBildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Alimentação saudável: suma importânciaNos Emirados Árabes Unidos, por exemplo, o consumo de refrigerantes é altíssimo. Diante das rígidas proibições de fumar no espaço público nos EUA e na UE, a indústria tabagista alastra seus tentáculos na Ásia. De forma que a globalização e a disseminação de doenças crônicas andam juntas e a expressão “doenças civilizacionais” vai se tornando absolutamente obsoleta, diz Pekka Puska, presidente da Federação Mundial de Cardiologia.

“É ultrapassado pensar que se trata de doenças associadas ao bem-estar, pois elas se espalham hoje com maior intensidade exatamente em países pobres. E na maioria dos países europeus, são as camadas mais baixas da população que apresentam maiores riscos de contrair tais doenças crônicas. São enfermidades fortemente associadas à pobreza e à decadência social, causadas por problemas sócio-econômicos e vice-versa. Sobretudo nos países em desenvolvimento, as pessoas acometidas por essas doenças são vítimas da pobreza, pois falta assistência social e apoio financeiro. Em outras palavras, a pobreza causa doenças crônicas e essas doenças levam à pobreza”, explica Puska.

Doenças psíquicas: problema ignorado

Hoje, 80% das pessoas que morrem em consequência de doenças crônicas vêm de países com uma renda per capita baixa ou média. E o problema vem sendo reconhecido cada vez mais por pesquisadores, políticos e organizações internacionais. No entanto, além do diabetes e das doenças circulatórias, há ainda um outro campo de enfermidades crônicas cujo alcance ainda não é reconhecido: as doenças psíquicas. Em todo o mundo, 150 milhões de pessoas sofrem de depressão.

“A meu ver, as doenças psíquicas são as mais negligenciadas. Além disso, são estigmatizadas em todas as sociedades. Embora sejam um desencadeador importante de outras enfermidades, elas não são vistas como prioridades na hora do tratamento. Por exemplo: em setembro de 2011, a Assembleia Geral das Nações Unidas decidiu organizar um congresso especial sobre doenças não transmissíveis. Foi uma ótima medida. No entanto, definiram que as enfermidades psíquicas não seriam abordadas nesse evento. Acho isso chocante. Em muitos países, a única solução vista para o tratamento de doentes mentais é interná-los em regime fechado. E isso mesmo considerando que essas doenças podem ser tratadas atualmente. Podemos tratar a depressão, podemos tratar a esquizofrenia”, fala Piot.

Estresse: causa de muitas enfermidades

Além de outros fatores ainda desconhecidos, o estresse é considerado uma das principais razões do aumento de enfermidades psíquicas. Em suma, o estilo de vida moderno, de difícil gerenciamento, é importante neste contexto. Já em relação a doenças crônicas como o diabetes ou a hipertensão, por exemplo, é possível tomar medidas concretas, principalmente através da prevenção, diz Ala Alwan, encarregado de doenças não transmissíveis e psíquicas na Organização Mundial de Saúde (OMS).

“Algumas doenças cardíacas, o diabetes e alguns tipos de câncer podem ser evitados através da redução do consumo de tabaco e álcool, de uma alimentação saudável, de atividade física. Até quando a doença já se manifestou é possível fazer muita coisa para melhorar a assistência médica, evitando complicações e uma morte prematura”, diz Alwan.

A população mundial precisa ser incentivada a levar uma vida mais saudável. No fim, o que conta é a postura individual e o comportamento de cada um. É preciso encontrar um equilíbrio adequado entre a intromissão do Estado – através de medidas como a proibição do cigarro no espaço público, por exemplo – e a liberdade individual.

Necessidade de mudança

Importância de se praticar esporte: vida sedentária é causa de enfermidadesBildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Importância de se praticar esporte: vida sedentária é causa de enfermidades”Não há certo ou errado. Trata-se de um processo de mudança social, sobre o qual as pessoas precisam ser informadas. Precisamos de mais esclarecimento e precisamos ajudar as pessoas a se tornarem mais saudáveis. Isso depende muito do ambiente. Pois o que comemos e o quanto nos movimentamos depende também de onde vivemos: que ofertas existem à nossa volta, o que é possível fazer. E por isso precisamos negociar com as autoridades, precisamos de programas públicos, temos que envolver outros setores da sociedade – a indústria alimentícia, as ONGs. Mas precisamos também de incentivos financeiros e de uma legislação”, completa Puska.

Para enfrentar as doenças crônicas é necessária uma ampla cooperação, concordam todos os especialistas. Alguns, como Peter Piot, acreditam que ainda não haja, contudo, uma conscientização suficiente acerca do problema.

“O mundo ainda não está armado contra as enfermidades crônicas. Mesmo em alguns países europeus levamos um american way of life no sentido da obesidade, por exemplo. No Reino Unido, 25% das crianças com 14 anos estão acima do peso, um índice bem mais alto do que havia antigamente. Precisamos tomar atitudes com rapidez e essa é uma questão de liderança. É preciso haver medidas específicas, como por exemplo a tributação de comidas não saudáveis, do tabaco e do álcool. Mas ainda não vejo esse tipo de iniciativa. Discutimos muito sobre os custos do sistema de saúde, mas aí só se fala, por exemplo, das consequências do diabetes. E onde está o dinheiro e o empenho em lutar para que as pessoas não se tornem diabéticas? Algo absolutamente possível”, completa Piot.

Autora: Anna Corves (sv)

Revisão: Simone Lopes

Fonte: DW-WORLD.DE citado em EcoDebate